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Escola Secundária José Saramago - Mafra

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segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

FELIZ NATAL!


Presépio napolitano.



LETRILHAS

I

Do Verbo divino
a Virgem prenhada
já vem a caminho.
Dar-lhe-eis pousada?



São João da Cruz, Poesias Completas, tradução, prólogo e notas de José Bento, Lisboa, Assírio & Alvim, 1990, p. 89.



segunda-feira, 11 de novembro de 2019

«SE HACE CAMINO AL ANDAR»


Imagem daqui.



XXIX

Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.

Antonio Machado,"Proverbios y Cantares", Poesías Completas, Soledades/ Galerías/ Campos de Castilla..., Edición Manuel Alvar, Madrid, Editorial Espasa, 1997, pp. 239-240.



quarta-feira, 19 de junho de 2019

O MAR DESMONTADO...


Raymond Devos (1922-2006).
Imagem daqui.



La mer démontée


«J'avais trois jours devant moi, je dis:
"Tiens, je vais aller voir la mer."
Je prends le train, j'arrive là-bas.
Je vois le portier de l'hôtel; je lui dis:
- Où est la mer?
- La mer... elle est démontée!
- Vous la remontez quand?
- Question de temps.
- Moi, je suis ici pour trois jours...
- En trois jours l'eau a le temps de couler sous le pont...»

Raymond Devos, Ça n'a pas de sens, Paris, Denoël, 1981.



terça-feira, 18 de junho de 2019

DA CONCISÃO CVI


Pantagruel.



«Great secrets are hidden in the lines of jokes and tall tales.»

Maryam Mafi, A Little Book of Mystical Secrets - Rumi, Shams of Tabriz, and the Path of Ecstasy, foreword by Narguess Farzad, Charlottesville, Hampton Roads Publishing, 2017, p. 111.




segunda-feira, 17 de junho de 2019

PROSA POÉTICA





«(...) Quel est celui qui de nous n'a pas, dans ces jours d'ambition, rêvé le miracle d'une prose poétique, musicale, sans rythme et sans rime, assez souple et assez heurtée pour s'adapter aux mouvements lyriques de l'âme, aux ondulations de la rêverie, aux soubresauts de la conscience? (...)»

Charles Baudelaire, dédicace du Spleen de Paris, Petits Poèmes en prose, dans 50 poèmes en prose, Paris, Gallimard, coll. «La Bibliothèque Gallimard», 2003.



sexta-feira, 14 de junho de 2019

DA CONCISÃO CV


Imagem daqui.



«Heureux qui, comme Ulysse, a fait un beau voyage,»

Joachim du Bellay, in Stéphane Hessel, Ô ma mémoire - la poésie, ma nécessité, Paris, Éditions du Seuil, 2006, p. 84.



quarta-feira, 12 de junho de 2019

O QUE PODEM ENSINAR-NOS AS DISTOPIAS? NOS 70 ANOS DE 1984, DE GEORGE ORWELL


Capa de uma das edições de 1984.



Conferência no dia 25 de junho de 2019, pelas 14h00, na Biblioteca Nacional de Portugal.



terça-feira, 28 de maio de 2019

OVER_SEAS - MELVILLE E WHITMAN EM PORTUGAL


Imagem e informações detalhadas aqui.



De 31 de maio a 30 de agosto.
Biblioteca Nacional de Portugal.



quarta-feira, 1 de maio de 2019

MAIO


Imagem daqui.



em maio
que surpresa
avistar o Monte Fuji!

Matsuo Bashô, O eremita viajante (haikus - obra completa), organização e versão portuguesa de Joaquim M. Palma, Porto, Assírio & Alvim, 2016, p. 272.



sexta-feira, 5 de abril de 2019

DA CONCISÃO CIV


Imagem daqui.



Na montanha, a quietude levanta-se
para explorar a sua própria altura;
no lago, o movimento permanece imóvel
para contemplar a sua própria profundidade.

Rabindranath Tagore, A Asa e a Luz, Lisboa, Assírio & Alvim, 2016, p. 108.



quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

UM QUADRO INACABADO


Rembrandt Harmenszoon van Rijn, A Noiva Judia (1658).
Imagem daqui.



Foi um encontro embaraçoso, triste, e não dissemos um ao outro nada de importante. No momento de me ir embora, no entanto, perguntei ao mestre Rembrandt - R., como eu gostava de lhe chamar para abreviar o seu nome tão estranho, tão singular - se já terminara a pintura. Havia algum tempo, queixava-se, as dores nos dedos impediam-no de trabalhar mesmo nas obras de que mais gostava. E, para além disso, a sua vista enfraquecera ainda mais. Contudo, naquela manhã sentou-se ao cavalete, levantou o pano que o cobria e - durante alguns instantes - deixou-me ver a tela que desejava dedicar à memória de Abigail. R. sempre se recusara a falar-me dela. Certa vez confirmara-me apenas que a conhecera nas reuniões dos Colegiantes que tinham lugar na livraria de Rieuwertsz e que, na sua opinião, era um grande artista. Admirava imensamente o seu trabalho e, por conseguinte, pedira-lhe que o deixasse executar três gravuras para a Metamorphosis insectorum Novae Zeelandiae. O tatu, o papa-formigas e a jibóia. Depois, até àquele dia, nunca mais dissera nada, não tornara a tocar no assunto. Nunca me fizera qualquer pergunta a respeito da nossa relação, nunca me perguntara nada. Talvez porque já soubesse tudo.

Na realidade, foi como um relâmpago: mas senti também uma surpresa, uma comoção, uma saudade de cortar o fôlego. Através da sua arte, agora apreciada apenas por um número reduzido de conhecedores, mais uma vez R. dizia aquilo que as palavras não seriam capazes de exprimir. Talvez não tenha tido tempo de formar uma ideia precisa do que vi. Abigail parecia-me diferente de como a conhecera - era a Abigail antes de ficar doente, talvez. Mais roliça, com melhor aspecto. Até mesmo eu parecia - não sei como dizer - mais jovem. Era como se R. nos tivesse transfigurado, mas era também como se nos rostos das duas personagens - no meu rosto e no rosto de Abigail, quero eu dizer - revivessem também os rostos de Titus e de Magdalena, de Saskia e de Hendrickje Stoffels. Todos os rostos das pessoas que R. havia amado, que o amaram, ou que aprendera a amar. Não era apenas o meu rosto, e também não era apenas o rosto de Abigail - ou, pelo menos, as personagens do retrato não eram apenas nós dois. Era como se todos aqueles rostos se tivessem sobreposto, como se se tivessem unido para formar uma visão fantástica, nova, que vivia somente na imaginação de R.

Depois, olhámo-nos demoradamente nos olhos. Por fim, R. sorriu-me e disse-me: - Vedes, doutor Paradies? Está praticamente acabado. - A mim, para dizer a verdade, a pintura parecia-me apenas esboçada (à excepção dos rostos, justamente). Não se tratava dum retrato tradicional, semelhante em sentido naturalista. A pintura estava livre da obrigação de reproduzir a aparência, de descrever fielmente as formas. Era essencial, sem qualquer toque supérfluo. Contudo, é atribuída uma grande importância aos acabamentos, não só pelo tempo e a habilidade que requerem, mas também pelo sentido de perfeição que emana dum trabalho concluído. Mas eu sabia que R., pelo contrário, agora se recusava a avaliar um quadro com base no tempo que o artista empregara a pintá-lo, e numa presumível perfeição que na realidade pretendia apenas imitar a todo o custo a natureza. (...)

Contudo, aquilo que deveras me impressionou foi outra coisa: a cor. Nunca tinha visto nada que lhe comparasse nos quadros dos outros grandes mestres - e não nos esqueçamos de que Amesterdão está cheia deles. Mas nenhum adoptava aquelas cores incandescentes, varioladas, granulosas. Dava quase a ideia de que R. usava aquelas cores para ofuscar o mundo. Perguntei-me com que instrumentos teria aplicado na tela. Com o pincel? Diria que não. Com uma espátula? Tão-pouco. Com os dedos mergulhados no pigmento? Não sou especialista e, para além disso, tive aquela imagem à minha frente apenas durante alguns segundos: mas em alguns pontos a superfície da cor parecia-me mesmo arranhada ou esfolada. Noutros, a cor surgia cravada de grânulos, encrustados como lama. Noutro ainda, era como se estivesse queimada. Ou então esburacada e golpeada. Espalmada, borrifada, martelada. Viam-se verdadeiras excrescências de cor - a pintura projetava-se alguns centímetros para fora do quadro, parecia viver uma vida própria. (...)

 - Já que uma obra não pode ser perfeita, então talvez seja melhor que permaneça inacabada (...).

Luigi Guarnieri, A História Secreta da Noiva Judia, Editorial Presença, Lisboa, 2006, pp. 202-204.



segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

PERGUNTAS COM HISTÓRIA


Tebas, Grécia.




UM TRABALHADOR, AO LER, PERGUNTA...


Quem construiu a heptápila Tebas?
Nos livros há só nomes de reis.
Foram os reis quem transportou as pedras?
E a tantas vezes destruída Babilónia –
Quem tantas vezes a reconstruiu? E em que casas
De Lima, a cintilante de ouro, os construtores moraram?
Para onde foram, na tarde em que acabaram a Muralha da China,
Os alvanéis? A grande Roma
Está cheia de arcos triunfais. Quem os ergueu? E sobre quem
Triunfaram os Césares? Tinha a celebrada Bizâncio
Só palácios para os habitantes? Até na Atlântida fantástica
Gritava, na noite em que o mar a engolia,
Quem se afogava, pelos seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias.
Sozinho?
César bateu as Gálias.
Não tinha com ele sequer um cozinheiro?
Filipe de Espanha chorou, quando a Armada
Foi ao fundo. Mais ninguém chorou?
Frederico II ganhou a Guerra dos Sete Anos. Quem a ganhou para ele?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhou o banquete triunfal?
Cada dez anos um grande Homem.
Quem pagou a conta?

Tantas histórias.
Outras tantas perguntas.

Bertolt Brecht, «Um trabalhador, ao ler, pergunta...», in Poesia do século XX, Antologia, tradução, prefácio e notas de Jorge de Sena, Porto, ASA, 2001, p. 115



sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

O PROFESSOR


Fotografia de Robert Doisneau.





O professor que pensa que o que importa
é estar de cátedra ganhando a vida,
sem estudar mais, deixando que em si morra
a controvérsia que ao pensar acende,
não é senão mesquinho traficante
que a obra dos outros a retalho vende.


Kalidasa, «O professor que pensa que o que importa»,  in Poesia de 26 Séculos – De Arquíloco a Nietzsche, antologia, tradução, prefácio e notas de Jorge de Sena“Cinquenta poemas sânscritos, Índia Clássica, séc.IV-séc.X”, Porto, ASA Editores II, S.A., 2001, p.56.




sexta-feira, 30 de novembro de 2018

DA CONCISÃO CII


Imagem daqui.



A água na taça é transparente; a água no mar é escura.
A pequena verdade tem palavras claras; a grande verdade tem silêncio grande.

Rabindranath Tagore, A Asa e a Luz, Lisboa, Assírio & Alvim, 2016, p. 63.




quinta-feira, 8 de novembro de 2018

FRANKENSTEIN DISSECADO - 200 ANOS


Imagem daqui.



No ano em se assinalam os 200 anos da publicação de Frankenstein, de Mary Shelley, o Pavilhão do Conhecimento - Centro Ciência Viva promove a exploração desta história, dissecando aquela que é considerada a primeira obra de ficção cinetífica de sempre.



segunda-feira, 17 de setembro de 2018

DA LEGIBILIDADE DOS LIVROS


Fragmento de papiro com versos da Odisseia, de Homero.
Imagem daqui.



«Os grandes livros são os mais legíveis. (...) E isso significa muita coisa. Se as regras da boa leitura se relacionam de algum modo com as regras da boa escrita, então são esses os livros mais bem escritos. (Se um bom leitor é eficiente em arte liberal, o grande escritor é muito mais.) Esses livros são obras-primas de arte liberal. Dizendo isso, refiro-me, primeiramente, aos livros científicos. Os maiores trabalhos de poesia ou ficção são obras-primas imaginativas. Em ambos os casos, a linguagem é utilizada pelo escritor para servir ao leitor, seja seu fim instruir ou agradar. Dizer que os grandes livros são os mais legíveis é dizer que eles não proclamam sua inferioridade, se vocês souberem lê-los. Podem seguir as regras de leitura tanto quanto sua habilidade o permitir; e, eles, ao contrário dos livros sem valor, não deixarão de pagar dividendos. Mas também têm mais o que se ler. O que importa não é apenas o modo como foram escritos, mas o que têm a dizer. Cada uma de suas páginas encerra mais ideias do que o resto dos livros, considerados totalmente. Eis por que vocês podem ler e reler os grandes livros, sem diminuir seu conteúdo e sem conseguir dominá-los de um modo completo. Os livros mais legíveis são indefinidamente legíveis. E há outro motivo para isso. Eles podem ser lidos em diferentes níveis de compreensão, e com uma grande diversidade de interpretações. Os exemplos mais evidentes dos vários níveis de leitura se encontram em obras como As Viagens de Gulliver, Robinson Crusoe e a Odisseia. As crianças podem lê-los com prazer. mas não encontram neles toda a beleza e profundidade que encantam a inteligência adulta. (...)»

Mortimer J. Adler & Charles Van Doren, A Arte de Ler, São Paulo, Artes Gráficas Indústrias Reunidas S.A. (AGIR), 1954, p. 167.



sexta-feira, 6 de julho de 2018

ZORBA, O GREGO






"Why don't you put pen to paper yourself, Zorba, to clear up all the mysteries of the world for us?"

"Why don't I, you ask? Because I live them, the mysteries you talk about and I've no time left over... And that's how it came to be that the world was made over the scholars; those who experience the mysteries have got no time  [for writing]; and those who've got time, don't experience the mysteries."

Kazantzakis, Zorba, the Greek.