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Escola Secundária José Saramago - Mafra

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quarta-feira, 21 de março de 2018

NO DIA MUNDIAL DA POESIA


Bosh, O Jardim das Delícias (c. 1500-1505) - painel esquerdo.




Vt Pictura Poesis

Como a pintura é a poesia: há aquela que, se perto estiveres,
mais te seduz; e há a que te encanta, se algo te afastares;
esta gosta de penumbra; quer ser vista à luz aquela,
que não teme o olhar arguto de quem a julgar;
uma agradou uma vez; a outra, dez vezes revista, agradará.

Horácio, Arte Poética, 362-365, in Romana - Antologia da Cultura Latina, organização e tradução de Maria Helena da Rocha Pereira, Lisboa, Babel, 2010, p. 209.



segunda-feira, 21 de março de 2016

ORPHEU NÃO ACABOU...


Os autores do Orpheu 1.
Infografia daqui.



"De resto, Orpheu não acabou. Orpheu não pode acabar. Na mitologia dos antigos, que o meu espírito radicalmente pagão se não cansa nunca de recordar, numa reminiscência constelada, há a história de um rio, de cujo nome apenas me entrelembro, que, a certa altura do seu curso, se sumia na areia. Aparentemente morto, ele, porém, mais adiante - milhas para além de onde se sumira - surgia outra vez à superfície, e continuava, com aquático escrúpulo, o seu leve caminho para o mar. Assim quero crer que seja - na pior das contingências - a revista sensacionista Orpheu."

Fernando Pessoa, Correspondência 1905-1922, Lisboa, Assírio & Alvim, 1999, pp. 172-173.


sábado, 21 de março de 2015

DIA MUNDIAL DA POESIA 2015


Cartaz de Maria Helena Vieira da Silva.



"Melhor que nomear é aludir. Verso não precisa dar noção."

Manoel de Barros, Livro Sobre Nada, Rio de Janeiro-São Paulo, Editora Record, 2004, p. 68.




sexta-feira, 21 de março de 2014

ESCOLA RIMA COM POESIA


Imagem daqui.



O trabalho foi esquecido
porque andava a pensar
como iria eu escrever
um poema de encantar.

De encantar e convencer
que não foi esquecimento
apenas me passou ao lado
e não houve pressentimento.

Pressentir ser punida
com uma tarefa destas
em que as rimas não saem
e parecem muito funestas.

Com toda esta tristeza
aguardo o seu perdão
pois não volta a acontecer
juro do meu coração.

É difícil fazer rimas
e que seja a última vez
em que não apresentei
o trabalho de Português!

A professora entendeu
mas deu-me este castigo
que me sirva de lição
quem avisa é muito amigo.

Beatriz Antunes, Aluna do 11º N, desta Escola



quinta-feira, 21 de março de 2013

A POESIA NO SEU DIA


Imagem daqui.
 
 
A uma dama que lhe mandou pedir algumas obras suas

 
Senhora, se eu alcançasse,
No tempo que ler quereis,
Que a dita dos meus papéis
Pela minha se trocasse;
E por ver
Tudo o que posso escrever
Em mais breve relação,
Indo eu onde eles vão,
Por mim só quisésseis ler;

 
Depois de ver um cuidado
Tão contente de seu mal,
Veríeis o natural
Do que aqui vedes pintado;
Que o perfeito
Amor, de que sou sujeito,
Vereis áspero e cruel:
Aqui, com tinta e papel;
Em mim, com sangue no peito.

 
Que um contínuo imaginar
Naquilo que o Amor ordena,
É pena que, enfim, por pena
Se não pode declarar;
Que, se eu levo
Dentro na alma quanto devo
De trasladar em papéis,
Vede qual melhor lereis:
Se a mim, se aquilo que escrevo.

Luís de Camões, Lírica, Círculo de Leitores, 1980, pp.59-60.
 

quinta-feira, 22 de março de 2012

DIA MUNDIAL DA POESIA (IV)


Escreva sobre poesia no mural da Biblioteca.

DIA MUNDIAL DA POESIA (III)

Homenagem ao poeta popular António Batalha

Palestra pelo Prof. Ismael Gonçalves.




Leitura de poemas por formandos EFA e pela família do poeta.
Oferta de livros do autor à Biblioteca da Escola.

quarta-feira, 21 de março de 2012

DIA MUNDIAL DA POESIA (II)




Poemas divulgados na Biblioteca da Escola pela Oficina da Palavra, da Universidade Sénior de Mafra. Viva a Poesia!

DIA MUNDIAL DA POESIA (I)


Montra de livros de poesia para assinalar a efeméride.

A LÍNGUA PORTUGUESA


Imagem daqui.
Esta língua que eu amo
Com seu bárbaro lanho
Seu mel
Seu helénico sal
E azeitona
Esta limpidez
Que se nimba
De surda
Quanta vez
Esta maravilha
Assassinadíssima
Por quase todos que a falam
Este requebro
Esta ânfora
Cantante
Esta máscula espada
Graciosíssima
Capaz de brandir os caminhos todos
De todos os ares
De todas as danças
Esta voz
Esta língua
Soberba
Capaz de todas as cores
Todos os riscos
De expressão
(E ganha sempre a partida)
Esta língua portuguesa
Capaz de tudo
Como uma mulher realmente
Apaixonada
Esta língua
É minha Índia constante
Minha núpcia ininterrupta
Meu amor para sempre
Minha libertinagem
Minha eterna
Virgindade
Alberto de Lacerda
Poeta português
Ilha de Moçambique, 20 de setembro de 1928  -  Londres, 26 de agosto de 2007


segunda-feira, 12 de março de 2012

DIA MUNDIAL DA POESIA NO CCB


Em parceria com o Plano Nacional de Leitura (Ministério da Educação e Ciência e Secretaria de Estado da Cultura), o Centro Cultural de Belém comemora no dia 24 de março, sábado, o Dia Mundial da Poesia, com várias iniciativas. De entre elas, destacam-se as seguintes:

Feira do Livro de Poesia
Diga lá um Poema
Maratona de Leitura (dedicada a Jorge de Sena)
Manuscritos (exposição)
Concurso de Poesia
Poesia Latino Americana (em colaboração com a Casa da América Latina)
Para mais informações:  http://www.ccb.pt/sites/ccb/pt-PT/Programacao/Literatura/Pages/Diamundialdapoesia2012.aspx

Boas leituras!


segunda-feira, 21 de março de 2011

MONTRA DE LIVROS (7)


Sugestões de leitura para o Dia Mundial da Poesia. Procure na Biblioteca!

A PRIMAVERA NA POESIA


Para assinalar o Dia Mundial da Poesia, da Árvore e das Florestas, a  Biblioteca convida os utilizadores a colocarem poemas subordinados à temática da Natureza na Árvore da Poesia.

POESIA DE ADRIANO ALCÂNTARA (II)

HÚMUS

O vento e o mar à terra não dão um momento.
Sal de raiva espuma, fermento e fado tudo afogam,
zunindo.
E eu aqui, viajante sem viagem,
assim vou indo,
assim ficando me alento e sufoco
e em vão me enraízo ao de leve
no firmamento do teu húmus.
Ardente lava ou anseio, penas e pó,
meus versos nada são na raiz de teus olhos,
mil matizes mil na menina da infância, meu único clima ameno
amargo chão
onde mal me pertenço, sereno leito onde me deito
sonhando.

 Adriano Alcântara 
(Professor de Português/Francês na ESJS)

21 de Março de 2011

POESIA DE ADRIANO ALCÂNTARA (I)

COISAS

As coisas acontecem
e não perdoam o chá
das meias palavras,
sejam raio ou diamante
de luz ou sangue,
exangue resultado
do quanto nos seduz
o copo aqui ao lado.
São coisas, aparecem.
A elas nos fazemos então,
sem rumo certo
ou com seguro norte
a brilhar algures
nas coxas da sorte.
São sereias, as coisas.
Vão e e vêm, acontecem
a quem navega ao balcão
ou não.
Como sucede a descoberta
de todas as coisas a ser
na ilha deserta
de um mundo a acontecer.

Adriano Alcântara 
(Professor de Português/Francês na ESJS)

21 de Março de 2011

POESIA DE MARIA LUCINDA SANTOS (III)

As Andorinhas 

Vestidas de negro como vindimas
Lá partem juntas em revoadas
Formam-se em bandos no espaço
Fazem curvas no céu sem embaraço
Graciosamente enleadas.

Fogem do inverno que se aproxima
Vão para o exílio cheias de saudade
Poemas de amor vão murmurando
No seu comunicar chilreando
Esvoaçando em plena liberdade.

Mas quando os raios de sol
Acalentam os campos engalanados
Pela Primavera já chegada
Voltam alegres numa virada
Cantando estrofes, de amores encantadas.

Doidas de alegria junto aos beirais
Reconhecem os ninhos deixados
E uma azáfama vão compôr
O que foi feito com tanto amor
E que p'lo tempo foram estragados.

Depois ... um grande idílio
No alto do seu mirante
Olhando o azul do firmamento
Vão sonhando a todo o momento
Com os frutos do seu amor galante.

E quando os filhos nascem
E pipilam com seus tenros biquitos
Baixam à terra e num vai-vem
Labutando como ninguém
Trazendo o comer aos seus pequinitos.

21 de Março de 2011
        

POESIA DE MARIA LUCINDA SANTOS (II)

Rosas

I
Fui ao jardim ... p´ra ver as flores
Vi todas ... uma a uma
E de tantas ... e tão diversas
Admirei-as sem pressa
Mas como as rosas... nenhuma ...

II
Há nelas tanta beleza
Tantos detalhes a descrever
Será que serei capaz
De neste papel o fazer?

III
Nos jardins ... são importantes
Nos altares ... são singelas
No regaço das noivas ... delicadas
Nos lares ... são perfumadas
Em todos os lugares... são belas.

IV
Mas cedo, perdem os atrativos
Que tanto as enaltecem
Também há o seu senão
É pouca a sua duração
E seus espinhos, prevalecem.

V
As rosas ... depois de secas
Ainda podem perdurar
Com alguma imaginação
Cria-se arte para decoração
Que embeleza qualquer lar.

VI
De todas ... são as Rainhas
Eleitas do meu coração
Tanta harmonia e grandeza
Fruto da "Mãe Natureza"
Obras lindas da "Criação".

21 de Março de 2011

POESIA DE MARIA LUCINDA SANTOS (I)

Malmequer

I 
Apanhei um malmequer
Com ideia de o desfolhar
Mas a flor era tão mimosa
Que fiquei receosa
Se a iria magoar

II
Mas enchi-me de coragem
Queria salvar a sina minha
E o mal-me-quer foi desfolhado
Pétala a pétala arrancando
Para ver a sorte que tinha

III
Mal-me-quer - Bem me quer
Muito pouco ou nada
Foi o último que me calhou
Foi a flor que me tentou
E, fiquei desanimada.

IV
Agora ... irei resistir
Quando passar p'lo jardim
Não apanharei mais a flor
Para não sentir mais a dor
Já que o final foi ruim.

21 de Março de 2011


DIA MUNDIAL DA POESIA

"Amor constante más allá de la muerte"

Cerrar podrá mis ojos la postrera,
Sombra que me llevare el blanco día,
Y podrá desatar esta alma mía
Hora a su afán ansioso lisonjera;

Mas no, de esotra parte, en la ribera,
Dejará la memoria, en donde ardía:
Nadar sabe mi llama el agua fría,
Y perder el respeto a ley severa.

Alma a quien todo un dios prisión ha sido,
Venas que humor a tanto fuego han dado,
Medulas que han gloriosamente ardido:

Su cuerpo dejará no su cuidado;
Serán ceniza, mas tendrá sentido;
Polvo serán, mas polvo enamorado.


Francisco de Quevedo (1580-1645)