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Escola Secundária José Saramago - Mafra

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sexta-feira, 23 de março de 2018

RÓMULO DE CARVALHO E A ARTE DE EDUCAR


Imagem daqui.




«É a aprendizagem a marca da civilização, e é do despertar das consciências e do transmitir de saberes que depende a vivência da cultura. Com que zelo, com que amor sincero, como confessava seu filho Frederico, Rómulo se encarregava de ensinar (a começar na própria casa), nunca como monólogo, mas como autêntico diálogo. Não se tratava, porém, de descer até ao jovem aprendente, mas sim de o elevar ao conhecimento maduro, com a preocupação da clareza e do gradualismo. Para o mestre, haveria sempre que saber dar os passos necessários para chegar ao conhecimento e à compreensão. "Estimular é saber tirar proveito das coisas, saber encantar, digamos, pôr as coisas em relevo, mesmo as coisas insignificantes".

Para Rómulo de Carvalho (RC), o experimentado docente, "o professor tem de ter qualidades muito humanas e saber expressar-se, manifestar as suas ideias. Os alunos agradam-se disso. Tal como deliram com as experiências". Mas na arte de educar tem de haver uma dramaturgia. É como se estivéssemos num teatro - com encenação, marcação, representação e clímax. O amadorismo ou o improviso não cabiam nos procedimentos de RC. Tudo tinha de estar muito bem preparado. Os alunos são julgadores severíssimos. Apenas se deixam impressionar se tudo for brilhante e irrepreensível. O metodólogo sabia-o, melhor que ninguém, e explicava isso com muito cuidado e rigor aos seus formandos. (...)

Num texto intitulado "Presença de Descartes" afirmava: "A finalidade dos estudos deve consistir em orientar o espírito para a construção de juízos sólidos e verdadeiros sobre todos os objetos que se lhe apresentem". E isto obriga à liberdade criadora - de alguém que foi, em complementaridade perfeita (o próprio diria, no seu sentido autocrítico, quase perfeita), o pedagogo, o praticante da cultura científica, o divulgador e também, com existência própria, o poeta...»

Guilherme d'Oliveira Martins, "Rómulo de Carvalho", in Jornal de Letras, 14 a 27 de março de 2018, p. 28.




quinta-feira, 2 de março de 2017

DA ORIGINALIDADE





"(...) Uma cousa é o methodo de construir sciencia, e outra cousa é o methodo de a expender. Se o professor não ensina firmado em principios fixos e estatuidos, se não visa o scôpo em linha recta e segura, se não sabe aconchegar-se da percepção do alumno, debalde se dispende em aptidão e engenho, que a miudo lhe descambará o pé. É urgente que as suas prelecções tenham realces originaes; e nunca os ha de ter, embora lhe sobejem conhecimentos solidos, se estes forem exclusivos, e se a extensão do espirito não estiver em harmonia com a profundidade. A arte suprema é saber aformosentar as questões mais arduas, lustrando-as das côres mais adequadas, dando-lhes relêvos de utilidade consentaneos á honra, á glória, riqueza, justiça, ordem moral e physica, sciencia, virtude, amor patrio e de familia, grandeza de animo, leis divinas e humanas, immortalidade, paz, etc. É sobremaneira dissaborida e triste a vida escolar, se o professor não sabe matizal-a com variados expedientes e aplicações que enriqueçam a intelligencia de idéias novas, sem desvial-a do alvo apontado. (...)"

Camilo Castelo Branco, Prefácio a Diccionario Universal de Educação e Ensino, org. E. M. Campagne, vol. I, Porto e Braga, Livraria International de Ernesto e Eugénio Chardron, 1873, pp. viii.


N.B. Foi respeitada a grafia original.