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Escola Secundária José Saramago - Mafra

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sexta-feira, 13 de julho de 2018

A LEBRE E A TARTARUGA


A Lebre e a Tartaruga. Ilustração de Milo Winter.



A Lebre e a Tartaruga

La lièvre propõe à la tortue
A corrida que sabe irá ganhar,
Lá para trás relegando, à vue perdue,
A que iria avançando em seu vagar.

Mas não conta com a astúcia da rivale,
Que, além disso, é também perseverante,
E que leva, de forma spéciale,
Sua ideia teimosa sempre avante.

Põe-se a lebre a comer uma carotte,
Olha, e vê que rasteja a tartaruga,
Só depois é que larga, como seta.

A galope investindo, mais que a trote,
Não consegue atingir, em sua fuga,
A que ali cortou já a sua meta.

Tiago Veiga (1900-1988)


Mário Cláudio, Tiago Veiga - Uma Biografia, Alfragide, Publicações Dom Quixote, 2011, pp. 215-216.



quinta-feira, 28 de abril de 2016

FÁBULA


William Turner, The Grand Canal, Venice (1835).
Imagem daqui.



"O piloto e os marinheiros

Na prosperidade teme, na adversidade espera.

Como um certo homem se queixasse acerca das suas desgraças, Esopo inventou esta fábula com o fim de o consolar:

Uma nau, batida pelas cruéis tempestades, entre as lágrimas dos passageiros e o medo da morte, logo que o dia de súbito se muda para um aspecto sereno, começou a ser levada em segurança com os ventos favoráveis e a inspirar demasiada alegria aos navegantes. Então o piloto, feito experiente com os perigos, diz: É necessário folgar moderadamente e queixarmo-nos sem precipitação, porque a dor e a alegria misturam toda a vida."


Fedro, Fábulas, versão portuguesa de Nicolau Firmino. Lisboa, Editorial Inquérito, 1990, p. 90.



quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

O MACACO E O CORVO


O corvo e a raposa, Fábulas de La Fontaine, Fundação Gala-Salvador Dalí.
Imagem daqui.


"FÁBULA


O MACORVO E O CACO - Andesta na florando um enaco macorme avistorvo um cou com um beço pedalo de quico no beijo. «Ver comou aqueijo quele ou não me chaco macamo», vangloriaco o macou-se de sara pigo consi. E berrorvo para o cou: «Oládre compá! Voçá estê bonoje hito! Loso, maravilhindo! Jami o vais tem bão! Nante, brilhio, luzidegro. Poje que enso, se quisasse canter, sua vém tamboz serela a mais bia de testa a floroda. Gostari-lo de ouvia, comporvo cadre, per podara dizodo a tundo mer que vocé ê o Rássaros dos Pei». Caorvo na cantida o cado abico o briu afar de cantim sor melhão cansua. Naturalmeijo o quente caão no chiu e fente imediatamoi devoraco pelo astado macuto. «Obriqueijo pelo gado!», gritiz o felaco macou. E a far de provim o mento agradecimeu var lhe delho um consou: Jamie Confais em Pacos-Suxa.

(1955. Fábula escrita na linguagem - aqui recuperada - do tempo em que os animais falavam)"

Millôr Fernandes, Millôr Definitivo-A Bíblia do Caos, Porto Alegre, L&PM Editores, 1994, p. 187.




quarta-feira, 11 de setembro de 2013

A SERPENTE E A LIMA

Azulejos do Mosteiro de São Vicente de Fora,
pormenor da Fábula de La Fontaine "A Serpente e a Lima"
Edição do Patriarcado de Lisboa, 2002, fotografia de Carlos Azevedo/ Catarina G. Ferreira
 
 
Certo relojoeiro
Duma serpente a vizinhança tinha.
(Que péssima vizinha!)
O réptil, sorrateiro,
Entra-lhe na loja, em busca de guisado,
E à mão só vê, para matar a fome,
Lima d’aço, bem rijo e temperado.
Morde-a, e, qual avestruz, quer ver se a come.
A lima, então, sem cólera falando
Diz-lhe: “estulta pareces,
Deste modo atacando
Aquilo que conheces
Ser mais rijo que tu. Antes que possa
Teu esforço um ceitil me destacar;
Antes que eu sofra a mais ligeira mossa,
Hás de as presas quebrar.
Pascácia! Eu temo só do tempo os dentes,
E não os das serpentes.”
Isto que eu disse aqui, leva endereço
Aos espíritos vis que tudo investem.
Bem que, tacanhos, para nada prestem,
Tudo mordem; têm tudo em menosprezo.
Quererdes (parvos!) amolgar co’as presas
Produções imortais do engenho humano,
É vão esforço insano,
A mais louca e irrisória das empresas!
Vossa fúria espumante
Nem a mais leve brecha lhes imprime;
Pois todas têm a têmpera sublime
Do aço fino, do bronze e diamante.
Jean de La Fontaine
 

terça-feira, 30 de abril de 2013

FÁBULA

Olival
Imagem daqui.
 
 
 
"As árvores na protecção dos deuses
 
A árvore deve ser estimada pelo fruto e não pelas folhas

Os deuses escolheram um dia as árvores que queriam que estivessem sob a sua protecção. O carvalho agradou a Júpiter, mas a murta agradou a Vénus; o loureiro a Febo; o pinheiro, a Cibele, e o elevado choupo, a Hércules. Minerva, admirando-se, perguntou-lhes porque escolhiam árvores estéreis. Júpiter disse como causa: Para que não pareçamos vender a honra pelo fruto. Mas, por Hércules, alguém dirá o que quiser - disse Minerva - a oliveira é-nos mais agradável por causa do fruto. Então o pai dos deuses e criador dos homens assim disse: Ó filha, com razão tu és chamada sábia por todos. Se não é útil aquilo que fazemos, é vã a glória. A fabulazinha aconselha a não fazer nada que não seja útil."

Fedro, Fábulas, versão portuguesa de Nicolau Firmino, Lisboa, Editorial Inquérito, 1990, p.72.