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Escola Secundária José Saramago - Mafra

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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

DOS DIAS DA SEMANA


Primeira referência escrita conhecida à «Segunda-feira»,
na Igreja de São Vicente, Braga, datada de 618.




"Nas línguas europeias, só o português e o grego moderno recorreram à designação dos dias da semana por um número ordinal, imitando o calendário judaico baseado nos dias da Criação do Mundo.

O facto de esse calendário judaico ter sido transmitido à cultura portuguesa através da acção persistente da liturgia cristã, dirigida a partir de Roma, explicará a existência de algumas diferenças, entre elas a pronúncia do nome Sábado (o Chabat judaico) e a substituição da designação «primeiro dia» (o yôme arichône judaico) por Domingo. Na Hispania do séc. VI, a grande influência e implantação do calendário da liturgia romana, consta ter sido uma consequência da forte acção evangelizadora de São Martinho de Dume, arcebispo de Braga (?-10.3.579), isto é, em pleno território do actual domínio cultural lusitano.

Para além dessas alterações, os nomes portugueses para os outros dias da semana não deixam de ser a apropriação do calendário eclesiástico (da Igreja de Roma que já o tinha decalcado sobre o calendário hebraico): na liturgia católica latina temos secunda feria, tertia feria, quarta feria, quinta feria, sexta feria e sabbatum, o que foi pelos portugueses adaptado para «Segunda-feira», «Terça-feira», «Quarta-feira», «Quinta-feira», «Sexta-feira» e «Sábado».

A única coisa que normalmente se ignora, é que a palavra «feira» (evolução do latim feria) significa «festividade» ou «comemoração» e, assim, corresponde a uma adaptação do significado do vocábulo «dia» (em hebraico yom) usado no calendário judaico para exactamente indicar a «comemoração» dos dias da Criação, sendo o «Sábado» o sétimo e último dia (Chabat deriva de chê, o numeral sete). Desta verificação se deduz a nossa crítica e oposição bem fundamentada à regra do «novo acordo ortográfico» quando defende a utilização de minúsculas para os dias da semana (...).

O termo português «Domingo» (formado a partir de Dominica dies) substituiu a designação judaica para a festa do primeiro dia da Criação, considerando a Igreja que o «dia primeiro» (em hebraico yôme arichône - dia primeiro) passaria a ser designado por Dominica Dies, o «dia do Senhor», e não a «*Feira Primeira», sintagma não aceitável pela norma portuguesa.

Para os que conhecem os outros calendários das línguas da Europa Ocidental, devem reparar que os dias da semana se designam nas línguas românicas pelos nomes dos astros e dos deuses mais importantes, excepto no caso dos «Sábados» e «Domingos»: o francês diz «Samedi» e «Dimanche», o espanhol escolhe «Sábado» e «Domingo», o italiano «Sabato» e «Domenica». Para os restantes dias da semana, à «Segunda-feira» chamam o «Dia da Lua»: castelhano, lunes, ... francês, lundi..., o italiano, lunedì.

E assim se pode documentar em relação aos restantes dias da semana. (...)"

Pedro da Silva Germano, Nova Visão sobre Hebraísmos na Língua Portuguesa, Lisboa, Chiado Editora, pp. 102-103.



terça-feira, 12 de junho de 2018

VOLP - VOCABULÁRIO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA





A primeira versão digital do Vocabulário da Academia contém mais de 215 000 entradas com a respetiva classificação gramatical e outras informações úteis.

Pode ser consultado aqui.




quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A LÍNGUA IMPERIAL


Imagem daqui.



O Problema das Línguas

Se ter uma grande literatura fosse, por si só, suficiente para impor, não a mera sobrevivência, mas a vasta e duradoura sobrevivência de uma língua, o Grego seria hoje a segunda língua da civilização. Mas nem sequer o Latim, que também chegou a ser a segunda língua da civilização, conseguiu manter a sua supremacia. Para assegurar a sua permanência no futuro, a língua tem de ter algo mais do que uma grande literatura: ser dona de uma grande literatura é uma vantagem positiva, mas não efectiva, pois salvará a língua da morte mas não garantirá a sua promoção na vida.

A primeira condição para uma ampla permanência de uma língua no futuro é a sua difusão natural, o que depende do simples factor físico do número de pessoas que a fala naturalmente. A segunda condição é a facilidade com que poderá ser aprendida; se o Grego fosse fácil de aprender, todos nós teríamos, hoje, o Grego como segunda língua. A terceira condição é que a língua terá de ser o mais flexível possível, de modo a poder responder, na íntegra, a todas as formas de expressão possíveis, e de consequentemente ser capaz de espelhar com fidelidade, através da tradução, a expressão de outras línguas e assim dispensar, do ponto de vista literário, a sua aprendizagem.

Ora, falando não só do presente mas também do futuro imediato, na medida em que este possa ser considerado como factor de desenvolvimento das condições embrionárias do nosso tempo, só há três línguas com um futuro popular - o Inglês (que já tem uma larga difusão), o Espanhol e o Português. São línguas faladas na América, e como Europa significa civilização europeia, a Europa tem-se radicado cada vez mais no continente ocidental. Assim línguas como o Francês, o Alemão e o Italiano só poderão ser europeias: não têm poder imperial. Enquanto a Europa foi o mundo, estas dominaram, e triunfaram mesmo sobre as outras três, pois o Inglês era insular e o Espanhol e o Português encontravam-se num dos seus extremos. Mas quando o mundo passou a ser o globo terrestre este cenário alterou-se.

Será portanto numa destas três línguas que o futuro do futuro assentará.


Fernando Pessoa, Pessoa Inédito, orientação, coordenação e prefácio de Teresa Rita Lopes, Lisboa, Livros Horizonte, 1993, p. 237.




sexta-feira, 10 de novembro de 2017

SER PORTUGUÊS


Fotografia de Nuno Ferreira Santos.



«Ser português é o quê?
É sermos pequenos, feios, malcheirosos, com mau gosto, e quando estamos no estrangeiro e apanhamos um avião para Portugal... a gente conhece logo as pessoas, é tão bom! E termos esta língua que é maravilhosa. Por exemplo, nas mãos do Bocage, do Camões, até do Filinto Elísio, onde o Camilo foi aprender e a Agustina é neta, porque aprendeu com o Camilo. Não sou admirador do Camilo. Não gosto daquela pieguice toda, mas gosto da dedicatória do Eusébio Macário. "Perguntaste-me se um velho escritor de antigas novelas poderia escrever, segundo os processos novos, um romance com todos os 'tiques' do estilo realista. Respondi temerariamente que sim, e tu apostaste que não. Venho depositar no teu regaço o romance, e na tua mão o beijo da aposta que perdi." É bonito ou não é? Fica-se tão contente! Eu fico. E a prosa do Antero! E era inteligente, e bonito. Tinha tudo.»

António Lobo Antunes, entrevista a propósito do seu novo romance Até Que as Pedras Se Tornem Mais Leves Que a Água, ípsilon, Público, 10/ 11/ 2017




segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

FESTin E FESTinha 2017





A 8ª edição do FESTIN - Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa - decorrerá entre 1 e 8 de março de 2017.



terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O POLIGLOTA, ESSE HABILIDOSO


Imagem daqui.




«(...) Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra: todas as outras as devia falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. Na língua verdadeiramente reside a nacionalidade; e quem for possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa vai gradualmente sofrendo uma desnacionalização. Não há já para ele o especial e exclusivo encanto da fala materna com as suas influências afectivas, que o envolvem, o isolam das outras raças; e o cosmopolitismo do verbo irremediavelmente lhe dá o cosmopolitismo de carácter. Por isso o poliglota nunca é patriota. Com cada idioma alheio que assimila, introduzem-se-lhe no organismo moral modos alheios de pensar, modos alheios de sentir. O seu patriotismo desaparece, diluído em estrangeirismo. Rue de Rivoli, Calle d'Alcalá, Regent Street, Wilhelm Strasse - que lhe importa? Todas são ruas, de pedra ou de macadame. Em todas a fala ambiente lhe oferece um ambiente natural e congénere onde o seu espírito se move livremente, espontaneamente, sem hesitações, sem atritos. E como pelo verbo, que é o instrumento essencial da fusão humana, se pode fundir com todas - em todas sente e aceita uma pátria.

Por outro lado, o esforço contínuo de um homem para se exprimir, com genuína e exacta propriedade de construção e de acento, em idiomas estranhos - isto é, o esforço para se confundir com gentes estranhas no que elas têm de essencialmente característico, o verbo - apaga nele toda a individualidade nativa. Ao fim de anos esse habilidoso, que chegou a falar absolutamente bem outras línguas além da sua, perdeu toda a originalidade de espírito - porque as suas ideias forçosamente devem ter a natureza incaracterística e neutra adaptadas às línguas mais opostas em carácter e génio. (...)

Além disso, o propósito de pronunciar com perfeição línguas estrangeiras constitui uma lamentável sabujice para com o estrangeiro. Há aí, diante dele, como o desejo servil de não sermos nós mesmos, de nos fundirmos nele, no que ele tem de mais seu, de mais próprio, o vocábulo. Ora isto é uma abdicação da dignidade nacional. (...) Falemos nobremente mal, patrioticamente mal, as línguas dos outros! (...)»

Eça de Queirós, A Correspondência de Fradique Mendes, Lisboa, Livros do Brasil, s/ d, pp. 130-131.



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

CAMILO, MESTRE DO IDIOMA

Camilo Castelo Branco (1825-1890). Retrato fotográfico de 7 de março de 1882.




«Mestre do idioma, Camilo não é porém o mais perfeito dos prosadores da língua portuguesa. Falta-lhe o senso arquitectónico de Vieira, a doçura de Bernardes, o donaire de Garrett, a finura de Eça, a sobriedade de Machado de Assis. Escrevia de jacto, com poucas emendas, como se pode ver na edição em fac-símile do Amor de Perdição. Prosador poderoso, não é só um tombo de vocábulos, com esses falsos clássicos que sobrecarregam a página de expressões inúteis e inusitadas, numa complacência verbal que cai no rebuscado. A prosa de Camilo é opulenta, mas dinâmica e sempre criativa. Não inventaria palavras, mas cria-as ou dá um rosto novo a velhos vocábulos. Quantos neologismos cunhou, não arbitrariamente mas na fidelidade à raiz da língua. Como tradutor, encontrava sempre o termo mais feliz para uma dificuldade. De passagem, lá vai mostrando a sua mestria, quando, por exemplo, propõe "adrede" para à propos.

Um escritor assim vário permite muitas leituras. Há quem leia Camilo para aprender ou refrescar o idioma. Há quem o leia ainda pelo gosto de uma história de paixão fatal ("Senhores, apraz-vos escutar um belo conto de amor e de morte? (...)", como no clássico Tristão de Bédier). Há quem o leia enfim por curiosidade sociológica, como testemunho de uma época desaparecida, de capitães-mores, de morgados, de barões, de "brasileiros", de abades, de pais autoritários que recorriam a conventos para filhas rebeldes à todo-poderosa vontade paterna. Era um mundo ainda patriarcal e rural, que se levantava contra o "sacrilégio" de proibir a inumação em igrejas (essa fora a causa da revolta popular da Maria da Fonte) e malsinara como "diabólico" o caminho de ferro, que tornava obsoletas a liteira e a sege.

Se, como escreve Jean Guitton nas suas Memórias, "l'oeuvre ne se sépare pas de la personne qui s'exprime en elle", então no caso de Camilo, de personalidade tão forte, tal separação é impensável. Ele está presente, omnipresente na sua obra, como se víssemos o seu rosto e ouvíssemos a sua voz. Não se apaga mas intervém, não raro abusivamente, ao mesmo tempo autor e narrador, protagonista e deuteragonista, testemunha e comparsa. Muitas das melhores páginas camilianas, ainda na ficção, são páginas autobiográficas, como se não conseguisse nunca desprender-se da sua pele. Interrompe a narrativa, divaga, interpela o leitor, num diálogo que é uma forma de cumplicidade. Os leitores são os seus melhores aliados - aqueles que testemunham sempre em favor dele. A impassibilidade narrativa, a objectividade histórica, a neutralidade intelectual, Camilo ignora-as. (...)»

João Bigotte Chorão, O Essencial sobre Camilo, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1998, pp. 57-58.



terça-feira, 8 de novembro de 2016

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

DA CONCISÃO LXVIII


Imagem daqui.



"Da minha língua vê-se o mar. Na minha língua ouve-se o seu rumor como na de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto. Por isso a voz do mar foi em nós a da nossa inquietação. Assim o apelo que vinha dele foi o apelo que ia de nós."

Vergílio Ferreira, alocução no Prémio Europália reproduzida em Espaço do Invisível V, p. 84, in Agenda 2016 Vergílio Ferreira, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2015, semana 32.


terça-feira, 8 de setembro de 2015

PRÉMIO ELOQUÊNCIA CAMÕES 2015

Ivone Amélia Donaldo Manave. Daqui.


"Ivone Amélia Donaldo Manave, estudante da 11ª classe da Escola Secundária de Malhazine (em Moçambique) foi a vencedora do Prémio Eloquência Camões 2015. Com o trabalho «Igualdade de Género», Ivone defendeu a igualdade de oportunidades para as mulheres, num texto bem estruturado e apresentado oralmente com a convicção e o empenho de quem está a defender uma causa justa. (...)

O Prémio Eloquência Camões é promovido pelo Centro Cultural Português em Maputo e tem o apoio da Faculdade de Ciências da Linguagem, Comunicação e Artes da Universidade Pedagógica."


quarta-feira, 3 de junho de 2015

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

HOMENAGEM A AGUSTINA BESSA-LUÍS NO MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA DE SÃO PAULO


Imagem e todas as informações no sítio do Museu da Língua Portuguesa.


É inaugurada amanhã, 16 de dezembro, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, uma exposição em forma de homenagem a Agustina Bessa-Luís. A mostra conta com 20 painéis ilustrados com textos e fotografia, sobre a vida e a obra da escritora nascida em Vila Meã, Amarante, em 1922.
A exposição estará patente até ao dia 1 de março de 2015.


quinta-feira, 19 de junho de 2014

8 SÉCULOS DE LÍNGUA PORTUGUESA

Imagem e informações detalhadas aqui.


No dia 27 de junho, data das comemorações dos 800 anos do Testamento de D. Afonso II, um dos textos mais antigos escritos em língua portuguesa, será lançada, pelas 18h00, na Biblioteca Nacional de Portugal, uma medalha comemorativa dos 8 Séculos da Língua Portuguesa.

A entrada é livre.


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

8 SÉCULOS DE LÍNGUA PORTUGUESA - Comemorações


Imagem daqui.




De 1214 a 2014 - 800 anos de Língua Portuguesa
De 5 de maio de 2014, dia da Língua Portuguesa, a 10 de junho de 2015

"(...) Quando “nasce” uma língua? Como determiná-lo, tratando-se da língua portuguesa? Qual é o documento mais antigo escrito em língua portuguesa?

Embora os historiadores da língua não sejam unânimes, o Testamento de D. Afonso II, datado de 27 de junho de 1214, surge como o primeiro, senão um dos primeiros documentos escritos em português.

Esta data mereceu a nossa atenção, no sentido de promovermos as Comemorações dos 8 Séculos da Língua Portuguesa, designação abrangente passível de englobar quer o Testamento de D. Afonso II quer outros documentos, como a Notícia dos Fiadores, de 1175.

As Comemorações dos 8 Séculos da Língua Portuguesa permitem-nos realçar o valor de um património comum das nossas culturas, a língua. Celebrar a língua nas suas mais diversas vertentes e geografias é o nosso objetivo. Para o efeito, elegemos como referencial para estas Comemorações o Testamento de D. Afonso II que perfaz 800 anos e que avulta entre os mais antigos documentos escritos em português.

As Comemorações dos 8 Séculos da Língua Portuguesa iniciar-se-ão (...) a 5 de maio, por ser o dia que a CPLP instituiu como o Dia da Língua Portuguesa e da Cultura na CPLP, tendo o seu término a 10 de junho de 2015.

Para promover estas Comemorações, um grupo de cidadãos de boa vontade constituiu, em abril de 2012, a Associação “8 Séculos da Língua Portuguesa” ─ associação cultural sem fins lucrativos, e que é, sobretudo, um motor de sinergias para as mais amplas e dignas Comemorações.

Move-nos a paixão pela nossa língua. Queremos promover a Língua Portuguesa, contribuindo para unir os seus falantes em torno das comemorações da sua existência. Esta é, portanto, uma iniciativa da sociedade civil à qual instituições e personalidades lusófonas têm vindo a aderir ao longo destes últimos meses.

Na filosofia que nos norteia, é fundamental considerar que o que nos une é muito mais importante do que o que nos pode separar. A mesma língua, falada por mais de duzentos milhões de pessoas, abraça realidades muito diferenciadas que a enriquecem.

Estas Comemorações facilitarão um melhor conhecimento das culturas dos países de língua oficial portuguesa e de Macau, o que fortalece a fraternidade e amizade entre os povos. Nesta perspetiva, propomos uma organização das comemorações em rede, com carácter pluricêntrico, no respeito pela cultura de cada país e envolvendo as diásporas. (...)"

 Texto e imagem do blogue http://8seculoslinguaportuguesa.blogspot.pt/


terça-feira, 29 de outubro de 2013

GRAMÁTICA DO PORTUGUÊS

Imagem daqui.
 
 
A nova Gramática do Português, em três volumes, foi apresentada ontem, na Fundação Calouste Gulbenkian, durante a Conferência Internacional sobre o Livro e a Leitura Digital.
 
"(...) Numa altura em que Portugal é tratado pelos seus aliados como um país derrotado numa guerra, é consolador saber que em quatro continentes existem países onde, desde o povo mais simples aos mais notáveis escritores de craveira universal, os matizes infinitos da vida se expressam numa língua daqui levada pelas caravelas. Esta gramática fala-nos do nosso maior ativo histórico: uma língua de onde se vê o mar, como escreveu Vergílio Ferreira, e que constitui uma pátria da inteligência e sensibilidade para todos os que nela se queiram acolher. Os autores desta Gramática do Português mostram-nos não só a substância da nossa identidade, como o caminho de disciplina e esforço que a poderá resgatar desta perigosa encruzilhada."
 
Viriato Soromenho-Marques, "Gramática da Alma", in Diário de Notícias, 28 de outubro de 2013, p. 18.

 

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

PACTO BILINGUE


"Temos que pactuar com a realidade. Não podemos fazer da língua portuguesa o privilégio da humanidade. Podemos, porém, convertê-la em metade de tal privilégio. Os Deuses não nos concedem mais: não podemos aspirar a mais.
Concentremo-nos no português, como se ele houvesse de ser tudo; não esqueçamos porém que pode não ser mais que metade de tudo"

Fernando Pessoa

Citado, em epígrafe, por Manuel Frias Martins, Em Teoria (A Literatura), Porto, Âmbar, 2003.
 
 
  

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

O FUTURO DA LÍNGUA PORTUGUESA NO SISTEMA MUNDIAL - conferência internacional

Imagem daqui.
 
 
Eixos temáticos da Conferência:
1- Língua Portuguesa: Ciência e Inovação
2- Internacionalização e Indústrias Culturais
3- Ensino e Formação
4- Diversidade Linguística: Políticas
5- Estado de Implementação do Acordo Ortográfico
 
Reitoria da Universidade de Lisboa
29 e 30 de outubro de 2013
 
 

terça-feira, 23 de julho de 2013

EM DEFESA DA LÍNGUA MATERNA

 
Gráfico daqui.
 

 
            “Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra: - todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. Na língua verdadeiramente reside a nacionalidade; - e quem for possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa vai gradualmente sofrendo uma desnacionalização. Não há já para ele o especial e exclusivo encanto da fala materna com as suas influências afectivas, que o envolvem, o isolam das outras raças; e o cosmopolitismo do verbo irremediavelmente lhe dá o cosmopolitismo do carácter. Por isso o poliglota nunca é patriota. Com cada idioma alheio que assimila, introduzem-se-lhe no organismo moral modos alheios de pensar, modos alheios de sentir. O seu patriotismo desaparece, diluído em estrangeirismo. Rue de Rivoli, Calle d’Alcalá, Regent Street, Wilhelm Strasse – que lhe importa? Todas são ruas, de pedra ou de macadame. Em todas a fala ambiente lhe oferece um elemento natural e congénere onde o seu espírito se move livremente, espontaneamente, sem hesitações, sem atritos. E como pelo verbo, que é o instrumento essencial da fusão humana, se pode fundir com todas – em todas sente e aceita uma pátria.”

Eça de Queiroz, A Correspondência de Fradique Mendes, Lisboa, Edição Livros do Brasil, s/d, pp.130-131.

 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

SETE SÓIS SETE LUAS - 21ª edição

 
Imagem e programa aqui.
 
 
 
Será inaugurada amanhã, 29 de junho de 2013, em Alfândega da Fé, a 21ª edição do Festival Sete Sóis Sete Luas. A edição deste ano envolve 34 países da bacia mediterrânica e da lusofonia. Na origem deste festival estiveram José Saramago e o italiano Dario Fo, ambos escritores laureados com o Prémio Nobel da Literatura.