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Escola Secundária José Saramago - Mafra
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sexta-feira, 29 de novembro de 2019
AS LÍNGUAS DA UNIÃO EUROPEIA
segunda-feira, 1 de abril de 2019
segunda-feira, 19 de março de 2018
A LÍNGUA DETERMINA O PENSAMENTO?
Pieter Brueghel, o Velho, A Torre de Babel (1563).
Imagem daqui.
EXCERTO DE UMA ENTREVISTA A ANDRÉ MARTINET (1908-1999)
«L'Express»: Em que língua sonha?
A. Martinet: Não sonho numa língua. Mas não existe um só momento em que o homem não pense. Tudo é pensamento, mesmo o sonho, mas, em cada doze horas, há onze em que o nosso pensamento não é um pensamento de palavras, o que seria muito fatigante. No entanto, desde que o pensamento se apoie na língua, é apesar de tudo mais fácil construir um raciocínio. A palavra é uma espécie de estribo. Não há dúvida que não existe progressão do pensamento que não seja fundado sobre a língua. (...)
«L'Express»: A língua determina o pensamento?
A. Martinet: Claro que sim. Um pensamento organizado consiste, em primeiro lugar, em combinar palavras. Muitas descobertas não são senão a combinação inesperada de dois conceitos ou de duas palavras. O linguista americano Benjamin Lee Whorf pôde dizer que Aristóteles não teria escrito a sua obra se tivesse pensado na língua hopi. E que a ciência moderna deveu a sua eclosão à estrutura própria da linguagem nos países ocidentais. Se a humanidade conhece um progresso científico e técnico, sem que, de resto, eu me pronuncie sobre o valor desse progresso, é porque a humanidade é dotada de linguagem. (...)
Entrevista publicada em L'Express de 24 de março de 1969, in Mais Além Com..., Edições Europa-América, 1993, p. 114.
sexta-feira, 28 de julho de 2017
O LADINO
Imagem daqui.
Quando os Judeus foram expulsos de Espanha e a seguir de Portugal emigraram para onde a fortuna ou o acaso os arrastou — para a Turquia, Servia, Bósnia, Bulgária, Palestina, Marrocos, como para os paises do Norte, França, Bélgica, Inglaterra, Hollanda, etc. A principio conservaram pura a lingua que fallavam — o espanhol ou o português — aquelle, porém, mais do que este; a breve trecho, como não podia deixar de ser, essa lingua começou a alterar-se, a decomporse, admittindo numerosas formas extranhas, deixando-se influenciar na sua phonetica, como na morphologia e na syntaxe pelas outras linguagens com que se encontrava em contacto.
Formou-se assim uma espécie de dialecto em que os elementos predominantes sam o hebreu e o espanhol, a que se deu o nome de Idioma espanhol, ou Lingua castelhana, ou Lingua vulgar, ou Lingua Sephardi, ou ainda Judesmo ou Judeo-Espanhol, ou, enfim, como é mais conhecido, simplesmente — Ladino (...).
Uma das suas características é no que respeita á phonetica, por ex., a substituição do h por f como em fijo por hijo, fablar por hablar, fambre por hambre, fermosa por hermosa, etc. Deu-se o mesmo phenomeno com o g. Diz-se em ladino agora por ahora. Nenhum auctor fez notar que estas trocas se explicam pela influencia do português. Quanto a nós não pode haver outra explicação do facto. Os judeos portugueses eram em menor numero, mas tinham a sua representação entre os emigrados bem accentuada por figuras distinctas nas letras ou na vida e regime da Synagoga. Estabelecer-se-hia assim inconscientemente uma lucta em que tinham de ficar vencidos os mais fracos. Entretanto um periodo de instabilidade de formas, de duplo emprego de termos, deveria existir.
É também frequente no ladino a mudança do n em m como muestros, muevo, mos, por nuestros, nuevo, nos. Ha a metathese do d antes do r em vedrad (verdad), pedrer (perder), vedre (verde), etc. Muitos termos são exclusivos deste dialecto, como meldar, frequentemente empregado, em vez de aprender, ler, meldador, isto é, leitor, prégador ; melda o mesmo que escola; darsar, (...) investigar, instruir, e que se emprega na significação de prégar, fazer um sermão, etc.
Os caracteres de que se serviram os Judeos na impressão das obras que saíram á luz em ladino são hebraicos, raras vezes latinos. Mas como os signaes dos dous alphabetos se não correspondem exactamente d'ahi as anomalias que se notam na transcripção e que nem sempre sam fáceis de descobrir. (...)
Joaquim Mendes dos Remédios, Os Judeus Portugueses em Amsterdam, Coimbra, F. França Amado Editor, 1911, pp. 149-151.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
O POLIGLOTA, ESSE HABILIDOSO
Imagem daqui.
«(...) Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra: todas as outras as devia falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. Na língua verdadeiramente reside a nacionalidade; e quem for possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa vai gradualmente sofrendo uma desnacionalização. Não há já para ele o especial e exclusivo encanto da fala materna com as suas influências afectivas, que o envolvem, o isolam das outras raças; e o cosmopolitismo do verbo irremediavelmente lhe dá o cosmopolitismo de carácter. Por isso o poliglota nunca é patriota. Com cada idioma alheio que assimila, introduzem-se-lhe no organismo moral modos alheios de pensar, modos alheios de sentir. O seu patriotismo desaparece, diluído em estrangeirismo. Rue de Rivoli, Calle d'Alcalá, Regent Street, Wilhelm Strasse - que lhe importa? Todas são ruas, de pedra ou de macadame. Em todas a fala ambiente lhe oferece um ambiente natural e congénere onde o seu espírito se move livremente, espontaneamente, sem hesitações, sem atritos. E como pelo verbo, que é o instrumento essencial da fusão humana, se pode fundir com todas - em todas sente e aceita uma pátria.
Por outro lado, o esforço contínuo de um homem para se exprimir, com genuína e exacta propriedade de construção e de acento, em idiomas estranhos - isto é, o esforço para se confundir com gentes estranhas no que elas têm de essencialmente característico, o verbo - apaga nele toda a individualidade nativa. Ao fim de anos esse habilidoso, que chegou a falar absolutamente bem outras línguas além da sua, perdeu toda a originalidade de espírito - porque as suas ideias forçosamente devem ter a natureza incaracterística e neutra adaptadas às línguas mais opostas em carácter e génio. (...)
Além disso, o propósito de pronunciar com perfeição línguas estrangeiras constitui uma lamentável sabujice para com o estrangeiro. Há aí, diante dele, como o desejo servil de não sermos nós mesmos, de nos fundirmos nele, no que ele tem de mais seu, de mais próprio, o vocábulo. Ora isto é uma abdicação da dignidade nacional. (...) Falemos nobremente mal, patrioticamente mal, as línguas dos outros! (...)»
Eça de Queirós, A Correspondência de Fradique Mendes, Lisboa, Livros do Brasil, s/ d, pp. 130-131.
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sexta-feira, 21 de outubro de 2016
segunda-feira, 15 de setembro de 2014
DIA EUROPEU DAS LÍNGUAS 2014
segunda-feira, 23 de junho de 2014
LÍNGUAS DIFÍCEIS, FÁCEIS E ASSIM ASSIM...
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