Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs

Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian
Escola Secundária José Saramago - Mafra

Mostrar mensagens com a etiqueta Opinião. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Opinião. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

AGUSTINA E AS PALAVRAS


Agustina Bessa-Luís.
Imagem daqui.




AS MINHAS PALAVRAS

Um escritor é um pastor de palavras. Assim como o pastor de ovelhas as guarda para o caso de se perderem ou serem devoradas pelos lobos, também o escritor toma conta do seu dicionário, tanto académico como popular.

Conta-se que um dia Gabriele d'Annunzio, em Paris e em conversa com Anatole France, lhe disse: «Vocês, os grandes escritores, não se servem senão de cinco mil palavras, e há quarenta mil na vossa língua. Que fazem das outras trinta e cinco mil?» Anatole France não soube que responder.

Ora nós, os portugueses, temos três vezes mais vocábulos do que a França. Uma cultura muito antiga, composta de inúmeras ocasiões de transumância, de movimentos invasores e períodos de recreação e prazer provocou esse enorme registo de palavras que, como traço de convivência, sentido prático, por hábito ou afeição poética, foram compondo uma língua e enriquecendo um património escrito e oral. (...)

A semente da rebeldia que todo o escritor semeia na roda dos seus afectos e conspirações é sempre orientada no sentido do sol, ou seja, da criação e do fruto adequado tanto à subsistência como à transcendência do homem. É ao escritor, uma minoria que parecia fútil se não fosse inqualificável, que cabe esse trabalho. (...)

O escritor é um curandeiro da desolação. Umas vezes diverte, outras vezes promete, quase sempre socorre o coração da terra para que ele tenha direito à eternidade. E a eternidade, o que não tem limites, parece ser hoje uma caça cruel, feita de actos cruéis e extravagantes. E de palavras usadas. Temos que recorrer às outras, desconhecidas, que nos arcanos do tempo esperam a sua libertação.

Agustina Bessa-Luís, Revista Factos, Dafundo, nº 12, Opinião, 9 de junho de 1998, p. 98, in Ensaios e Artigos (1951-2007), vol. III, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2017, pp. 2398-2400.




quinta-feira, 2 de março de 2017

DA ORIGINALIDADE





"(...) Uma cousa é o methodo de construir sciencia, e outra cousa é o methodo de a expender. Se o professor não ensina firmado em principios fixos e estatuidos, se não visa o scôpo em linha recta e segura, se não sabe aconchegar-se da percepção do alumno, debalde se dispende em aptidão e engenho, que a miudo lhe descambará o pé. É urgente que as suas prelecções tenham realces originaes; e nunca os ha de ter, embora lhe sobejem conhecimentos solidos, se estes forem exclusivos, e se a extensão do espirito não estiver em harmonia com a profundidade. A arte suprema é saber aformosentar as questões mais arduas, lustrando-as das côres mais adequadas, dando-lhes relêvos de utilidade consentaneos á honra, á glória, riqueza, justiça, ordem moral e physica, sciencia, virtude, amor patrio e de familia, grandeza de animo, leis divinas e humanas, immortalidade, paz, etc. É sobremaneira dissaborida e triste a vida escolar, se o professor não sabe matizal-a com variados expedientes e aplicações que enriqueçam a intelligencia de idéias novas, sem desvial-a do alvo apontado. (...)"

Camilo Castelo Branco, Prefácio a Diccionario Universal de Educação e Ensino, org. E. M. Campagne, vol. I, Porto e Braga, Livraria International de Ernesto e Eugénio Chardron, 1873, pp. viii.


N.B. Foi respeitada a grafia original.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O POLIGLOTA, ESSE HABILIDOSO


Imagem daqui.




«(...) Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra: todas as outras as devia falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro. Na língua verdadeiramente reside a nacionalidade; e quem for possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa vai gradualmente sofrendo uma desnacionalização. Não há já para ele o especial e exclusivo encanto da fala materna com as suas influências afectivas, que o envolvem, o isolam das outras raças; e o cosmopolitismo do verbo irremediavelmente lhe dá o cosmopolitismo de carácter. Por isso o poliglota nunca é patriota. Com cada idioma alheio que assimila, introduzem-se-lhe no organismo moral modos alheios de pensar, modos alheios de sentir. O seu patriotismo desaparece, diluído em estrangeirismo. Rue de Rivoli, Calle d'Alcalá, Regent Street, Wilhelm Strasse - que lhe importa? Todas são ruas, de pedra ou de macadame. Em todas a fala ambiente lhe oferece um ambiente natural e congénere onde o seu espírito se move livremente, espontaneamente, sem hesitações, sem atritos. E como pelo verbo, que é o instrumento essencial da fusão humana, se pode fundir com todas - em todas sente e aceita uma pátria.

Por outro lado, o esforço contínuo de um homem para se exprimir, com genuína e exacta propriedade de construção e de acento, em idiomas estranhos - isto é, o esforço para se confundir com gentes estranhas no que elas têm de essencialmente característico, o verbo - apaga nele toda a individualidade nativa. Ao fim de anos esse habilidoso, que chegou a falar absolutamente bem outras línguas além da sua, perdeu toda a originalidade de espírito - porque as suas ideias forçosamente devem ter a natureza incaracterística e neutra adaptadas às línguas mais opostas em carácter e génio. (...)

Além disso, o propósito de pronunciar com perfeição línguas estrangeiras constitui uma lamentável sabujice para com o estrangeiro. Há aí, diante dele, como o desejo servil de não sermos nós mesmos, de nos fundirmos nele, no que ele tem de mais seu, de mais próprio, o vocábulo. Ora isto é uma abdicação da dignidade nacional. (...) Falemos nobremente mal, patrioticamente mal, as línguas dos outros! (...)»

Eça de Queirós, A Correspondência de Fradique Mendes, Lisboa, Livros do Brasil, s/ d, pp. 130-131.



segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O NÍVEL (IDEAL) DO LIVRO


Imagem daqui.




«Por trás do processo contínuo de decaimento no nível dos livros de texto, que testemunhamos nas últimas décadas, está a idéia de que todos os alunos, ou pelo menos a maioria deles, devam ser capazes de entender todos os tópicos do livro de texto. Trata-se de um grande equívoco. O nível ideal do livro deve estar um pouco acima da capacidade do aluno típico. Sua compreensão parcial de um texto um pouco mais profundo é certamente mais valiosa do que a compreensão de um texto elementar. Isto porque, exceto para pessoas intelectualmente muito bem-dotadas, os conceitos mais refinados da física e da matemática só são assimilados após um certo tempo de "convivência" com eles. Assim o contato precoce com as subtilezas dos conceitos sempre antecipa o amadurecimento do estudante. O aluno que estudou física básica em um livro conceitualmente mais profundo irá quase certamente demonstrar maior aproveitamento nos cursos mais avançados, que encontrará a partir do terceiro ano do curso universitário. É como na música: se você ouviu Mozart aos dez anos, irá apreciá-lo enormemente aos vinte. Essas últimas considerações levam-nos também a concluir que os exames de avaliação dos alunos devem ficar um pouco abaixo do nível praticado no ensino, e do aluno só é correto exigir o domínio do que houve de mais básico e fundamental no curso.»

Alaor Silvério Chaves, Física: mecânica, Rio de Janeiro, Reichmann & Affonso Ed., 2001, p. 9.



sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

LUXO PÚBLICO


"Dia 5 de fevereiro, 07.26. Ligo a rádio na Antena 1. (...) Já escutei rádio em quatro continentes. Mas não há nada comparável com estes 120 minutos. E há mais estações, e mais programas. Isto não é serviço público. É um luxo público que transforma Portugal em superpotência mundial radiofónica. Uma esperança e um exemplo para o que falta fazer. Em tudo o resto."

Excerto do artigo de opinião de Viriato Soromenho-Marques, no Diário de Notícias de hoje



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

LITERATURA E CINEMA OU VICE-VERSA?

Foto e legenda da autoria de Lia Costa Carvalho, daqui.





Godard dit qu’entre cinéma et littérature,
«on est dans deux trains qui se croisent sans arrêt».

Jean-Louis Leutrat, “Deux trains qui se croisent sans arrêt”,
in Cinéma et littérature, le grand jeu, sous la direction de Jean-Louis Leutrat, Grenoble, De l’Incidence Editeur, 2010, p. 12.




Ao serem visionados, alguns filmes têm o condão de acordar zonas mais ou menos adormecidas na região das memórias literárias. Isso não acontece, por vezes, durante o primeiro visionamento, nem no momento do segundo, é preciso, em alguns casos, fazerem-se outras revisitações, como se o filme teimasse em não se mostrar por completo a quem o vê, pelo menos nos aspetos que com ele se relacionam, ou, em outras circunstâncias, como se a memória já estivesse arrumada em arquivo moribundo e se recusasse a ser incomodada no seu escaninho. De todas as formas, o despertar dessas memórias ocorre apenas quando o objeto fílmico se adensa, ganhando uma espessura semântica capaz de se fazer ecoar na bagagem literária do sujeito. Aparece, aqui, o leitor/ espectador-autor – aquele que, no momento da receção, a jusante da obra artística, com a sua leitura e o seu olhar, participa, junta uma adenda, o seu constructo, e contribui, dessa forma, para o estabelecimento de um modo novo de ler a literatura e o cinema.
Vem-me à memória o filme Bom Povo Português (Rui Simões, 1980), que despertou em mim, no momento em que o vi pela segunda vez, uma ponte semântica, com o seu primeiro pilar principal neste filme e apoiando o segundo na obra literária Levantado do Chão (José Saramago, 1980). O espoletar do reconhecimento, neste caso da cena inaugural do filme, um parto aparentemente real, numa obra literária ou, antes, naquilo que de simbólico têm nela a personagem Maria Adelaide Espada e alguns dos quadros narrados, impeliu-me, num movimento de aproximação tanto ao filme como ao livro, a empreender, num e noutro "comboio", ao longo do percurso que fazem e no momento em que se cruzam,  uma busca minuciosa de outras identidades comuns que permitissem um diálogo entre as duas artes.
O facto de o filme assinado por Rui Simões não poder ser etiquetado como filme de ficção (embora nele encontremos laivos de alguma liberdade criadora), mas, sim, como um documentário que pretende deixar registados alguns dos momentos mais importantes do tempo em que então se vivia (figurando um passado ainda muito recente) em Portugal e fora de portas, e de a obra de José Saramago poder ser lida como um texto poético (como se de um poema épico se tratasse no que ao assunto diz respeito – metonimicamente, a saga de uma família que está para todo um povo –, não respeitando, bem entendido, os aspetos formais do género) levou-me a esta referência.
Se não se soubesse que tanto o livro como o filme datam do mesmo ano, poder-se-ia aventar a possibilidade de o escritor se ter inspirado no filme para escrever o seu livro. A presença do cinema na literatura fica, neste caso, excluída. De igual forma, o contrário poderia ter sido, ainda que remotamente, uma eventualidade. O que, uma vez mais, não aconteceu. Embora o filme tenha sido começado em 1976 (curiosamente o mesmo ano em que o autor de Levantado do Chão se vê obrigado a abandonar as funções que desempenhava no Diário de Notícias e se refugia em Lavre, Montemor-o-Novo, com a intenção de pôr em formato de livro o Alentejo e a sua gente), só foi estreado em 1980, na Figueira da Foz, tendo, mais tarde e ainda nesse mesmo ano, sido projetado em São Paulo e em Cartagena (Colômbia). A impressão de haver uma evidência à partida – Saramago inspirado por Rui Simões – revelou-se falaciosa (o realizador garante ter mostrado montagens do filme, entre 1976 e 1980, mas não a José Saramago, escritor que não conhecia nessa época); da mesma forma, a possibilidade de os pontos comuns encontrados serem explicados por influência inversa – Saramago inspirador de Rui Simões – é também refutada pelo próprio realizador.
Está-se, assim, em presença de duas obras, filme e livro, concebidas e realizadas sem que se registassem influências de um ou de outro lado. Fica a ideia de que o que as motivou foi assaz forte e falou suficientemente alto para inspirar um realizador e um escritor a expressarem, cada um à sua maneira, é certo, uma mesma realidade. A forma como o fizeram, sublinhando alguns aspetos comuns a ambos, identificando-se com certas temáticas, leva-me a concluir que poderá haver duas leituras semelhantes do mesmo fenómeno, por pessoas distintas, com diferenciadas formas de expressão. Aqui a literatura e o cinema não se cruzaram a meio do trajeto, mas encontraram-se na estação, quando os respetivos comboios estavam ainda lado a lado.


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

JANELA PARA UM FUTURO...



O Blog “Ler para Ser” permite que cada um de nós que percorre as várias publicações viaje por partilhas, reflexões e sugestões de páginas a descobrir, que permitem um mergulho em muitos temas e assim diríamos que este blog é um meio que potencia momentos de aprendizagem ao longo da vida.
Falar de aprendizagem ao longo da vida, na atualidade, parecer ser falar de um conceito cada vez mais distante, numa crença de uns quantos D. Quixotes de La Mancha…
Parece que tendemos a valorizar apenas uma educação centrada no eixo formal e nas dimensões do “saber saber” e do “saber fazer”. Parece que retrocedemos à realidade identificada no diagnóstico da educação no Relatório “Um tesouro a descobrir” para a UNESCO (Comissão Internacional Sobre Educação para o Século XXI, sob a presidência de Jacques Delors – 1996): “Numa altura em que os sistemas educativos formais tendem a privilegiar o acesso ao conhecimento, em detrimento de outras formas de aprendizagem (…)”.

Na atualidade a palavra mais usada, no nosso país e em muitos outros países, é a palavra “crise”, a ela estão correlacionadas outras tantas palavras como: cortes, despesa, endividamento, despedimentos, aumentos… palavras cheias de um sentido que nos vai vergando e nos remete ao silêncio, a uma insignificância, a uma pequenez desconcertantes e a um futuro que mais parece recuar a um passado de opressão e fechado a diversos níveis. Sente-se ruir um dos pilares base da educação, um pilar que ainda pouco sólido, mas já vinha ganhando visibilidade em algumas dinâmicas de aprendizagem ao longo da vida, refiro-me ao pilar da educação “aprender a ser”. Defendido no passado mas projetado para o futuro, defendendo a educação como um todo e com um papel essencial para “(…)conferir a todos os seres humanos a liberdade de pensamento, discernimento, sentimentos e imaginação de que necessitam para desenvolver os seus talentos e permanecerem, tanto quanto possível, donos do seu próprio destino”.  Jacques Delors, no Relatório “Aprender a Ser” de 1972.
A aprendizagem ao longo da vida é uma travessia num mar umas vezes sereno, outras vezes revolto, mas que ruma sempre a um desafio maior (ainda que possa requerer alguns ajustes na rota), mas que tem sempre como horizonte: ancorar numa elevação da qualificação escolar, numa valorização profissional ou simplesmente no concretizar de um sonho outrora adiado. Quero acreditar que esta travessia merece ser respeitada e continuada.
Texto e fotos da autoria de Maria Júlia da Ponte Bentes, Profissional de Reconhecimento e Validação de Competências, atualmente Técnica de Diagnóstico e Acolhimento, no Centro Novas Oportunidades da Escola Secundária José Saramago - Mafra.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

MURAL DA BIBLIOTECA



Os utilizadores da Biblioteca sugeriram os seguintes temas:
  • O que é a amizade?
  • O que é o amor verdadeiro?
  • A escola é ...
  • Amor é ...
  • A política é ...
  • Ser adolescente é ...
  • Deus é ...
  • Milagre é ...
  • Que tipo de música prefere?
  • O que é a língua portuguesa?
  • O que é para si um luxo?
  • O que é para si a moda?
  • És a favor ou contra os exames nacionais? Porquê?
  • Facebook: rede social ou obsessão?
  • O que é ser Humano?
  • O que é ser benfiquista?
  • O que vais dar de prenda no Dia dos Namorados?
  • Frases/citações preferidas
  • Atitudes para ser bem sucedido na sociedade
  • O que quero ser um dia
  • Será que o mural consegue marcar a diferença na escola?
  • A vertigem das listas

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

O QUE EU DESEJO PARA 2011

Escreva no mural da Biblioteca o seu desejo para 2011.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

UMA ESCOLA SEM BIBLIOTECA COMO SERIA?

Os utilizadores da BE deixaram a sua opinião no mural colocado para o efeito à entrada da Biblioteca Escolar.