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Escola Secundária José Saramago - Mafra

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quinta-feira, 21 de março de 2019

A LIÇÃO DE GIOTTO


Giotto, Políptico de Badia, 1301-1302.




A LIÇÃO DE GIOTTO

dizem: antes dele a pintura afundava-se
naquilo que alguns pintaram para seduzir
o olhar dos ignorantes e não
o subtil prazer do espírito

possuía um rigoroso sentido do espaço e
do volume foi reformador da pintura florentina
reduziu tudo ao essencial suprimindo personagens
acessórios detalhes e pela amplitude
da composição arquitectónica atingiu grandeza
invejada e sem igual

foi ele ainda
o primeiro a enclausurar a alma
no interior de corpos limitados e sóbrios
que nos convidam à reflexão sobre a natureza humana
e sobre as coisas diáfanas do coração

Al Berto, O Medo, Porto, Assírio & Alvim, 2017, p. 421.




segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

TIZIANO


Tiziano, Retrato de Ariosto (ca. 1510).
Imagem daqui.




Tiziano Vecelli, oriundo de uma família nobre de Cador, nasceu em 1477, e morreu em 1576. Estudou pintura em Veneza, depois que tentou em vão iludir nas belas-letras aquela sua principal tendência. Celebrado por talentos precoces, foi chamado a Ferrara para retratar corte. Aí retratou Ariosto, o cantor de Orlando, e trocou com o retrato os versos do insigne poeta. Em Roma foi aposentado, por ordem de Paulo III, no palácio Belvedere, onde Miguel Ângelo o visitou. (...)

Tiziano foi rico, e viveu com esplêndido luxo. Morreu legando consideráveis haveres, e o nome imortal a uma escola onde deixou em seiscentos modelos o maior tesouro de sua herança granjeada em 99 anos!

Os entendedores de pintura têm em conta de primeiro colorista Tiziano. É que são decorridos três séculos e, os quadros do célebre artista conservam ainda a primitiva vivacidade das tintas, e transparência das sombras. Não o colocam na plana dos superiores desenhistas; mas, se o princípio fundamental da arte é a fiel imitação da natureza, Tiziano pode ombrear com os melhores nos contornos dos seus quadros. Não dava realce ao que era comum e trivial; em presença, porém, do sublime, empregava sem violência o grandioso do estilo. As conveniências históricas importavam-lhe pouco; mas aprimorava-se no colorido, mormente na carnação das mulheres e crianças, e ainda mais naquela parte do claro-escuro que aumentava o relevo, não só por combinação de luzes, sombras e reflexos, mas ainda pelo tom local das vestes.

Como paisagista foi sublime, e nos retratos inimitável. Transpira nestes a índole, o temperamento, e, para assim dizer, as propensões das pessoas que representa. Vandyck, nesta especialidade, é o único rival de Tiziano.

Camilo Castelo Branco, in O Nacional, de 18-12-1858


José Viale Moutinho, Camilo Castelo Branco - Memórias Fotobiográficas (1825-1890), Alfragide, Editorial Caminho, 2009, p. 134.


domingo, 6 de janeiro de 2019

DIA DE REIS


Leonardo da Vinci, A Adoração dos Magos (1481-1482, obra inacabada).



terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

UM BOM CARNAVAL!


Pablo Picasso, (1881-1973), Carnaval (1958).



quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

RAMO DE VIOLETAS


Édouard Manet (1832-1883), Bouquet de violettes (1872).
Imagem daqui.



Ce jour-là, dès l'entrée du studio, je sens que quelque chose n'est pas à sa place. En effet, sur la cheminée, une surprise m'attend. Lucie a dû passer dans la matinée pour installer ici, bien en évidence, le Bouquet de violettes (1872) de Manet. Dimensions: 21 x 27. Éventail à tranche rouge, bouquet bleu profond, billet où on peut déchiffrer «À Mlle Berthe» (Morisot), signature à droite.
(...)
Un tel bouquet agit immédiatement sur ses environs. La rue monte vers lui, la Seine coule dans sa direction, les murs l'écoutent, la cheminée devient un autel. L'éventail fermé est un livre à lire. 

Philippe Sollers, L'Éclaircie, Paris, Éditions Gallimard, 2012, pp. 168-169.



quinta-feira, 11 de maio de 2017

A VIAGEM: EXPOSIÇÃO RETROSPETIVA DO PINTOR ANTÓNIO CARMO


António Carmo, O Poeta (2006).
A imagem e todas as informações encontram-se aqui.



A exposição estará patente na Galeria do Auditório da Biblioteca Nacional de Portugal, de 16 de maio a 1 de setembro de 2017.



quarta-feira, 8 de março de 2017

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

DIA DE REIS


Giotto di Bondone, A Adoração dos Magos (1303-1305).
Imagem daqui.



segunda-feira, 31 de outubro de 2016

sexta-feira, 20 de maio de 2016

MONDRIAN E A PINTURA

Piet Mondrian (1872-1944), Victory Boogie-Woogie (1942-1944).
Imagem daqui.



"Mondrian é quem percebe o sentido mais revolucionário do cubismo e lhe dá continuidade. Compreende que a nova pintura, proposta naqueles planos puros, requer uma atitude radical, um recomeço. Mondrian limpa a tela, retira dela todos os vertígios do objeto, não apenas a sua figura, mas também a cor, a matéria e o espaço que constituíam o universo da representação: sobra-lhe a tela em branco. Sobre ela o pintor não representará mais o objeto: ela é o espaço onde o mundo se harmonizará segundo os dois movimentos básicos da horizontal e da vertical. Com a eliminação do objeto representado, a tela - como presença material - torna-se o novo objeto da pintura. Ao pintor cabe organizá-la, mas também dar-lhe uma transcendência que a subtraia à obscuridade do objeto material. A luta contra o objeto continua.

O problema que Mondrian se propôs não podia ser resolvido pela teoria. Se ele tentou destruir o plano com o uso das grandes linhas pretas que cortam a tela de uma borda à outra - indicando que ela confina com o espaço exterior -, ainda essas linhas se opõem a um fundo, e a contradição espaço-objeto reaparece. Inicia, então, a destruição dessas linhas e o resultado disso está nos seus dois últimos trabalhos: Broadway Boogie-Woogie e Victory Boogie-Woogie. Mas a contradição não se resolve de fato, e se Mondrian vivesse mais alguns anos talvez voltasse à tela em branco donde partira. (...)"

Ferreira Gullar, "Morte da Pintura", in Poesia Completa, Teatro e Prosa, Rio de Janeiro, Editora Nova Aguilar, 2008, p. 1002.



domingo, 1 de maio de 2016

DIA DA MÃE


Elisabeth Jerichau-Baumann (1819-1881), Uma Mulher Felá Egípcia com o seu Bebé (1872).
Imagem daqui.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

CARNAVAL

Pieter Brueghel, A luta entre o Carnaval e a Quaresma (1559).
Imagem daqui.



segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

CARTA DE AMADEO DE SOUZA-CARDOSO


Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), Avant la corrida (1912)
Imagem daqui.



     "Paris - 1908
      Minha querida maman:
      Hoje de manhan, quando os meus dedos rasgaram o envelope da sua carta, eu não esperava nada uma correção tão violenta.
      Mas que fiz eu, minha Maman, para tão formidavel sova? - Eu não assassinei, não roubei, o proximo não se queixa de mim com razões e a minha consciencia todos os dias me diz que subiu mais um degrau de perfeição. Não quero com isto defender os meus erros, pois já nossos paes, os latinos, diziam  «errare humanum est» - errar é humano.
      Se eu lhe disser que os erros tem tanto valor como as virtudes, digo um sacrilegio aos seus ouvidos, mas afinal só pronuncio uma verdade. O erro é o fundo em que se destaca uma virtude, e a virtude seria inapreciada se o erro não existisse.
      E de que me acusa a minha mãe? - De eu não ser a creatura que ella deseja. Porventura isto é uma falta propositada, voluntaria da minha parte? Não.
      Ao contrário, eu queria bem ser o que ella quer que eu seja para lhe dar um maior grau de felicidade! Mas que fazer! Todas as creaturas vêm ao mundo para seguir um destino proprio. É por isto que todos os filhos dão às mães uma suprema felicidade e uma incomparavel dor. Uma felicidade porque são os filhos do seu ventre, uma dor porque são creaturas que ella não pode guiar na vida ao seu desejo.
      Ah! e que acusações candidas me faz a minha maman.
      Porque é que a minha vida tem sido todas um fiasco? Por não estar incorporado na firma R. Cunha? Por varios acontecimentos que me tem sucedido, e que eu tanto considero porque são lições de vida? Mas que haverá de fiasco na minha existencia?
      Eu quando a consulto, acho-a, ao contrario, rasoavel e util porque consegui libertar-me dos meios de vida burgueza, tacanha de espirito e sentimento, em que eu estava embrenhado numa revolta. Neste ponto de vista eu sinto grandes duas creaturas que estavam a amparar-me e sinto-me grande eu proprio. Esses dois seres são meu Pae e minha mãe que me deixaram escolher livremente a minha forma de vida e me deram as mãos para ajudar os meus passos. Se eu não conseguisse livrar-me, se eu não vivesse na vida da arte, a vida de espirito e de alma, a suprema vida da perfeição, ah, minha mãe, eu, o seu filho. seria sempre um homem torturado, de existencia falha, e poderia então pronunciar tristemente: «a vida dum ser que eu creei, antes não houvesse creado - é um fiasco».
      (...). A minha vida poderá ser para os outros qualquer coisa de idiota; eu porém estou convencido que vivo numa profunda vida de arte - e estou contente. (...)"

(Foi mantida a grafia original.)


Carta de Amadeo de Souza-Cardoso à mãe, Paris, 1908. Espólio da Família Sousa Cardoso. In Amadeo de Souza-Cardoso - Fotobiografia, catálogo raisonné, Lisboa, Assírio & Alvim, 2007, p. 81-83.


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

O CÍRCULO DELAUNAY


Robert Delaunay (1885-1941), Natureza Morta Portuguesa ou Sinfonia de Cor (1915-1917).
Photo Paris RMN/ Pracusa 201509. Imagem de informações detalhadas aqui.



Para ver no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, de 20 de novembro de 2015 a 22 de fevereiro de 2016.



segunda-feira, 27 de abril de 2015

OS CAVALEIROS

Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), Os Cavaleiros (1913)
Imagem daqui.



OS CAVALEIROS
(Amadeo de Souza-Cardoso)


Caminham para o abstracto
Os cavaleiros
Saíram do retrato
E vão inteiros

Quanto mais se desintegram mais exactos
Ei-los só cor volumes linhas gestos
Pela forma se transformam em puros actos
E quanto mais abstractos mais concretos.

Manuel Alegre, Poesia, volume I, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2009, pp.449-450.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

AS QUATRO ESTAÇÕES


Le Printemps (Le Paradis Terrestre)


L'été (Ruth et Boaz)


L'Automne (La Grappe de raisin rapportée de la Terre Promise)


L'Hiver (Le Déluge)


As quatro estações, pintadas entre 1660 e 1664, são de Nicolas Poussin (1594-1665) e podem ser admiradas no Museu do Louvre.