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Escola Secundária José Saramago - Mafra

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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

PROVÉRBIO MEDIEVAL

Imagem daqui.



"Milho não semeia quem passarinhos receia"


Provérbio da Cantiga de Amigo "Hoje quer'eu meu amigo veer", de João Soares Coelho, trovador medieval.
A composição poética poderá ser lida aqui.


segunda-feira, 21 de setembro de 2015

DA CONCISÃO LVI

Sémhur, A extensão do Império Romano em alguns anos.
Imagem daqui.


Verba volant, scripta manent.
"As palavras voam, os escritos ficam."

Sentença latina.


segunda-feira, 28 de abril de 2014

WILLIAM BLAKE - PROVÉRBIOS

William Blake (1757-1827), Proverbs of Hell (primeira página).
Imagem daqui.




No tempo das sementeiras, aprende; no das ceifas, ensina; no Inverno, goza.
(…)
Um tolo não vê a mesma árvore que um sábio vê.
(…)
Laboriosa abelha não tem ócios para a tristeza.

As horas da loucura são contadas pelo relógio; mas as da sabedoria não há relógio que possa contá-las.

Não voa alto de mais a ave que voa com as próprias asas.
(…)
O acto mais sublime é colocar outrem adiante de si.

Persistisse o louco em sua loucura, avisado se tornaria.
(…)
A raposa deita culpas à armadilha, não a si própria.

À ave o ninho, à aranha a teia, ao homem a amizade.

O que hoje se prova não passava ontem de imaginação.

A ratazana, o rato, a raposa, o coelho reparam nas raízes; o leão, o tigre, o cavalo, o elefante atentam nos frutos.

A cisterna contém; a fonte transborda.

Um único pensamento é susceptível de encher a imensidão.
(…)
Tudo quanto seja possível acreditarmos torna-se imagem da verdade.

Jamais a águia perdeu tanto o seu tempo como ao ter de ouvir as lições do corvo.

De manhã, pensa; ao meio-dia, age; à tarde, come; à noite, dorme.

Não esperes senão veneno das águas estagnadas.

Nunca saberás o que é bastante se não souberes o que é mais que bastante.

Os olhos de fogo, as narinas de ar, a boca de água, a barba de terra.

É forte em astúcia o fraco em coragem.

Exuberância é Beleza.
(...)


 
William Blake, “Proverbs of Hell”, The Marriage of Heaven and Hell, in “Vozes da Poesia Europeia – II”, traduções de David Mourão-Ferreira, Colóquio-Letras, número 164, maio-agosto de 2003, pp.218-221.



terça-feira, 25 de junho de 2013

DA CONCISÃO XXVI

 
Imagem daqui.

Antonio Machado, poeta espanhol
Sevilha, 1875 - Collioure, França, 1939



"Não se assinala o caminho apontando-o com o dedo, mas sim caminhando em frente"
 
Provérbio Macua - Moçambique

 

quinta-feira, 13 de junho de 2013

DOS EXAMES

Imagem daqui.
 
 
 
Há cinco degraus para se alcançar a sabedoria:
calar;
ouvir;
lembrar;
agir;
estudar.
 
Provérbio árabe
 
 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

DA CONCISÃO XIV

Caligrafia de Hamid Ajami
Imagem daqui.
 
 
O bico da pena penteia a cabeleira da linguagem.

Provérbio persa.
 
 
 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

PROVÉRBIOS MEDIEVAIS

Pieter Brueghel, O Jovem, Os Provérbios
Imagem daqui.


Provérbios burlescos
 

(…) O que suscita o riso é, antes de mais, a comparação com animais, sobretudos os domésticos. Destes, a primazia vai para o asno, depois para o gato, o perro ou cão, a galinha, o porco ou bácoro, o boi, a mosca, o piolho, o rato. Nos outros animais, surgem com algum relevo a raposa e o lobo, o boi, o abutre, o bode, o carneiro e o borrego. Logo se nota que os provérbios dão conta da vida dos homens no interior da casa e se situam num cenário doméstico. Mesmo a raposa e o lobo surgem como símbolos das forças externas que ameaçam a casa. A companhia dos animais na lavoura, no pastorio ou na caça inspira afinal poucos adágios. Por outro lado, e isto parece-me ainda mais significativo, as metáforas pressupostas têm quase sempre sentido burlesco. Na maioria dos casos o animal designa o homem ou a mulher: o galo e o lobo referem-se a ele; a galinha, a raposa, a loba, a cabra, a sardinha apontam-na a ela.

Pelo contrário, o asno, o gato, o cão, o bácoro e o porco têm um sentido peculiar. O asno é como que uma espécie de prolongamento do proprietário e que, por isso mesmo, exprime a forma de agir simultaneamente habitual e ridícula do seu dono, as suas posições irredutíveis e que a pressão social ou as regras morais não conseguem vencer. Assim no célebre «Mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube», ou no «Asno morto, cevada ao rabo». Mas a polissemia é, muitas vezes, mais rica. Assim, em «Asna velha, cinta amarela», a escolha do feminino dá um tom mais cómico à frase e torna o significado extensivo não apenas ao dono mas à própria mulher. O gato serve de metáfora para designar o indivíduo desconfiado «Gato escaldado…» ou arisco e irritável «Daí vem a tosse ao gato». De qualquer maneira, a intimidade com os animais faz deles bom espelho do homem do povo. Sem reivindicar a sua superioridade de ser racional, o homem do povo compara-se facilmente com eles, a si e à sua mulher; o comportamento animal serve-lhe, sem problemas, para definir as suas qualidades ou defeitos, escolhendo, de preferência, as situações cómicas.

O tom burlesco surge em segundo lugar, para falar do clero ou religião, dos médicos, dos estrangeiros, das donas, dos senhores e homens-bons e mesmo do demónio. (…) O riso é, obviamente, subversivo. O seu tom nem sempre é agressivo, mas escarninho ou astucioso. (…) Dos estrangeiros, os que chegam às aldeias são os beberrões e marginais, decerto mercadores ou mercenários: «Bem canta o francês, molhado o papo». Mas também ensinam, astuciosamente, a lidar com os senhores exigentes: «A senhor arteiro, servidor ronceiro»; «Com teu amo não jogues as pêras, que ele come as maduras e dar-te-á as verdes». (…)

Parece-me importante sublinhar o papel das mulheres de idade na criação e transmissão de cultura popular: inventam os provérbios e os contos, citam-nos ou contam-nos à lareira, para crianças e adultos, mas, como sabem que não têm um papel claro na tomada de decisão das famílias ou das comunidades, falam humoristicamente do seu lugar secundário, mas imprescindível, e de um bem conhecido jeito para tirarem partido da sua própria fraqueza, valorizando a experiência, a persistência, e mesmo a importância económica do seu trabalho lento mas eficaz. Com ar escarninho, devolvem as ironias dos jovens invocando o seu sentido prático e a sua independência face aos preconceitos sociais. Sabem que constituem, afinal, um importante suporte para a comunidade e a sua reprodução, assegurando a transmissão das subtis regras da sabedoria popular às novas gerações. (…)

Descobrimos, assim, por meio dos refrãos, a enorme complexidade das sociedades rurais. (…) Por detrás delas, estão mecanismos ocultos onde, pelo menos ao nível da prática, intervêm as mulheres, e mesmo as de idade, a quem é cometido o papel de transmitirem as fórmulas condensadoras do saber colectivo e de ditarem os limites dentro dos quais se devem pôr em prática as regras estabelecidas, tendo em conta o seu carácter relativo e teórico. (…)

O riso, o sarcasmo, o burlesco servem, portanto, ao vilão quer para exprimir a importância que o corpo, os animais e a casa têm na sua cultura, quer para relativizar as hierarquias sociais, as normas de respeito devido, até, às autoridades do lugar (os homens-bons) e da família (os velhos, os parentes, os compadres e comadres). É, como salienta Bakhtine, a forma de defesa das classes dependentes, rurais ou urbanas, perante a dominação das classes superiores. É a arma possível quando não se pode recorrer à revolta aberta. Não cultivam a agressão, mas a diferença.”

José Mattoso, O Essencial sobre os Provérbios Medievais Portugueses, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1987, pp.11-17.