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Escola Secundária José Saramago - Mafra
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quinta-feira, 3 de setembro de 2015
DA CONCISÃO LII
PRÉMIO LITERÁRIO ALVES REDOL
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
GIL VICENTE E O SEU TEMPO
Alfredo Roque Gameiro, Encenação de Estreia do Monólogo do Vaqueiro, de Gil Vicente. Daqui.
O entardecer da nossa Idade Média
tem o encanto nostálgico do Outono. Ideias e compleições espirituais declinam
com suave lentidão, sem arrancos vigorosos do pensamento nem estremecimentos
arrebatados da sensibilidade. Brandamente, como um fio de água que se escoa. O
espírito foi jovial, o ânimo resoluto, os modos corteses, a inteligência
tranquila e segura de si, mas a mente desconheceu dúvidas promissoras, a
vontade, com querer virilmente o que quis, talvez se afirmasse mais
extensamente em nolições que em volições, e a expressão literária, em si mesma,
como forma de arte, não teve agilidade nem se enlevou no puro prazer estético.
Dir-se-ia que ninguém, por então, deixara correr a pena só movida pelo deleite
de escrever. (…) Poetas, prosadores, pregadores, todos utilizavam o verbo para
instruir ou para entreter, para defender ou para atacar. A intenção didáctica
tornara-se o signo daquela hora vesperal (…). Daí o desinteresse pela arte
literária como expressão da sensibilidade estética, a intangibilidade de regras
e preceitos, e o predomínio da temática ético-religiosa, tão absorvente que mal
houve quem lançasse rápidos olhares para a gesta dos Descobrimentos e tão
suspicaz que não custa a descobrir a reprimenda severa sob a aparência franca
do riso e do chiste.
Gil Vicente fez-se homem de letras
nesta ambiência. O seu génio de poeta e a frescura da sua inspiração lírica
colocaram-no fora e acima do estreito cercado do seu tempo; a sua mente,
contudo, não se desprendeu da garra epocal. Na fronteira de duas culturas, a da
Idade Média, que se aproximava do ocaso, e a Renascença, que entre nós foi sol
nado quando a vida do Poeta descaía, o seu espírito, por mais alto que lhe
ergamos a personalidade individualíssima, não pulsou nunca com a virtù, os anelos e a sensibilidade dos
platonizantes, dos ciceronianos, dos paganizados, dos eruditos e dos retóricos
que a revivescência das humanidades trouxe à actualidade (…).
A índole espiritual de Gil Vicente e
o teor das suas ideias nasceram e permaneceram na Idade Média, e só na Idade
Média – , bem entendido na derradeira quadra que a sensibilidade e o pensamento
medieval viveram entre nós (…).
Por isso a voz de Gil Vicente não
conheceu as galas do belo-dizer; as suas palavras brotaram do humus popular, recorrem às vezes ao vocabulário
clerical e nada pediram de emprestado ao latim polido; as suas imagens têm viço
e palpitam de ternura, sem a fatuidade e a bajulação vulgares nas dos
humanistas; o seu pensamento, ora ingénuo, ora intencional, antepôs ao
encadeamento de juízos a intuição imaginante do símbolo; as suas leituras
sérias foram as de um pregador e as das horas de desenfado parece não terem ido
além da literatura castelhana, especialmente dos novelistas e poetas da segunda
metade de Quatrocentos; o seu riso teve a alacridade irreprimível do que
irrompe visceralmente da gana, se delicia com a chalaça e esmorece com a
ironia; a sua razão não intuiu nunca aquele «livre exame» que submeteria à
mesma disposição categorial os textos sagrados e os eventos naturais; a sua
imaginação quase só delineou cenários de risco litúrgico e sempre enroupou de
panejamentos medievais os mitos e figuras da antiguidade clássica; a sua
concepção do Mundo foi teocêntrica, o seu ideal social, hierárquico, a sua
ética, a do asceta que, apesar de condescendente e bonacheiro, desnuda o homem
para que ele se não esqueça de que a vida tem de ser a preparação da morte.
O
saber científico, que se constrói com o senso rígido e frio da exactidão, não
lhe estava na índole, nem tão-pouco o visionou nos anos em que se alargam os
horizontes da visão intelectual. Somente aprendeu e soube o saber que nutre
directamente a conduta do homem para com Deus, para com o Rei e para com os
demais homens, e esse saber, que teve sempre por sustento e fito o mais
veemente amor a tudo quanto era português, encontrou-o já sistematizado em Sumas e Artes, e alcançou-o talvez numa
aula claustral para noviços ou aprendizes de clérigo, talvez numa escola
superior, como escolar teólogo, mas não com qualquer cura sertanejo e ainda
menos por exclusivo esforço de autodidacta.
Joaquim de Carvalho, “Os Sermões
de Gil Vicente e a Arte de Pregar”, in Obra
Completa, vol. II – História da Cultura, 1948-1955, Lisboa, Fundação Calouste
Gulbenkian, 1983, pp. 45-47.
terça-feira, 1 de setembro de 2015
SETEMBRO, SOPHIA
Gravura de Eugène Grasset, "Septembre", in Les mois. Daqui.
Oblíquo
Setembro de equinócio tarde
Que
se alonga e depara e vê e mira
Tarde
que habita o estar do seu parado
Sol
de Sul pelo sal detido
Assim
o estar aqui e o haver sido
Quasi
a mesma que sou no tão perdido
Morar
aberto de um Setembro antigo
Com
o mar desse morar em meu ouvido
Pura
paixão que não conhece olvido
Sophia
de Mello Breyner Andresen, "Pura paixão que não conhece olvido", in Portugal
Socialista, janeiro de 1984.
sexta-feira, 31 de julho de 2015
FÉRIAS... COM LIVROS
"Se os livros fossem publicados anonimamente, sem o nome do autor, resolvia imensos problemas. Ou então deviam ter o nome do leitor, porque é ele que escreve o livro."
António Lobo Antunes, Sol, suplemento Tabu, 02/02/2008
quarta-feira, 8 de julho de 2015
NOVELAS EXTRAVAGANTES
Imagem do sítio do escritor Mário de Carvalho.
Quatrocentos mil sestércios. Uma dívida por cobrar. Um filho de centurião numa demanda pelas carreteiras dessa Lusitânia, cada ventura desfiando sua desventura, e a deusa Fortuna de guarda às peripécias deste pobre cidadão romano. As Cruzadas. Um cavaleiro regressa da Mourama. Uma promessa por cumprir, uma nubente amarga que exige desafronta, e a deusa Fortuna que não recompensa os audazes. Os últimos tempos do Marcelismo. Um jovem revolucionário num périplo nocturno por Lisboa. Toda uma cidade de conluio com a polícia política para o apanhar, e a deusa Fortuna que falha ao encontro em certo dia de Abril.
Da contracapa da obra.
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Autores Portugueses,
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quarta-feira, 1 de julho de 2015
"Onde os nossos livros se acabam, ali começam os seus..." - O JAPÃO EM FONTES DOCUMENTAIS DOS SÉCULOS XVI E XVII
Chegada de três jovens samurais à Europa enviados por daimios cristãos japoneses. Gravura holandesa do século XVII (BNP, E. 1669 P.)
Imagem, legenda e informações detalhadas aqui.
Exposição patente no Museu do Livro, de 16 de julho a 15 de outubro de 2015.
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