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Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian
Escola Secundária José Saramago - Mafra

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

DA CONCISÃO LII


Pablo Picasso, Joie de vivre (1946). 

"La douleur fait le poète, mais la joie fait le peintre."

Camillo Boito, "Un corps", Trésor de la nouvelle de la littérature italienne, vol. 2, Paris, Les Belles Lettres, 2004, p. 70.



PRÉMIO LITERÁRIO ALVES REDOL

Imagem e informações detalhadas, incluindo o regulamento, aqui.


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

GIL VICENTE E O SEU TEMPO

            
Alfredo Roque Gameiro, Encenação de Estreia do Monólogo do Vaqueiro, de Gil Vicente. Daqui.



            O entardecer da nossa Idade Média tem o encanto nostálgico do Outono. Ideias e compleições espirituais declinam com suave lentidão, sem arrancos vigorosos do pensamento nem estremecimentos arrebatados da sensibilidade. Brandamente, como um fio de água que se escoa. O espírito foi jovial, o ânimo resoluto, os modos corteses, a inteligência tranquila e segura de si, mas a mente desconheceu dúvidas promissoras, a vontade, com querer virilmente o que quis, talvez se afirmasse mais extensamente em nolições que em volições, e a expressão literária, em si mesma, como forma de arte, não teve agilidade nem se enlevou no puro prazer estético. Dir-se-ia que ninguém, por então, deixara correr a pena só movida pelo deleite de escrever. (…) Poetas, prosadores, pregadores, todos utilizavam o verbo para instruir ou para entreter, para defender ou para atacar. A intenção didáctica tornara-se o signo daquela hora vesperal (…). Daí o desinteresse pela arte literária como expressão da sensibilidade estética, a intangibilidade de regras e preceitos, e o predomínio da temática ético-religiosa, tão absorvente que mal houve quem lançasse rápidos olhares para a gesta dos Descobrimentos e tão suspicaz que não custa a descobrir a reprimenda severa sob a aparência franca do riso e do chiste.
            Gil Vicente fez-se homem de letras nesta ambiência. O seu génio de poeta e a frescura da sua inspiração lírica colocaram-no fora e acima do estreito cercado do seu tempo; a sua mente, contudo, não se desprendeu da garra epocal. Na fronteira de duas culturas, a da Idade Média, que se aproximava do ocaso, e a Renascença, que entre nós foi sol nado quando a vida do Poeta descaía, o seu espírito, por mais alto que lhe ergamos a personalidade individualíssima, não pulsou nunca com a virtù, os anelos e a sensibilidade dos platonizantes, dos ciceronianos, dos paganizados, dos eruditos e dos retóricos que a revivescência das humanidades trouxe à actualidade (…).
            A índole espiritual de Gil Vicente e o teor das suas ideias nasceram e permaneceram na Idade Média, e só na Idade Média – , bem entendido na derradeira quadra que a sensibilidade e o pensamento medieval viveram entre nós (…).
            Por isso a voz de Gil Vicente não conheceu as galas do belo-dizer; as suas palavras brotaram do humus popular, recorrem às vezes ao vocabulário clerical e nada pediram de emprestado ao latim polido; as suas imagens têm viço e palpitam de ternura, sem a fatuidade e a bajulação vulgares nas dos humanistas; o seu pensamento, ora ingénuo, ora intencional, antepôs ao encadeamento de juízos a intuição imaginante do símbolo; as suas leituras sérias foram as de um pregador e as das horas de desenfado parece não terem ido além da literatura castelhana, especialmente dos novelistas e poetas da segunda metade de Quatrocentos; o seu riso teve a alacridade irreprimível do que irrompe visceralmente da gana, se delicia com a chalaça e esmorece com a ironia; a sua razão não intuiu nunca aquele «livre exame» que submeteria à mesma disposição categorial os textos sagrados e os eventos naturais; a sua imaginação quase só delineou cenários de risco litúrgico e sempre enroupou de panejamentos medievais os mitos e figuras da antiguidade clássica; a sua concepção do Mundo foi teocêntrica, o seu ideal social, hierárquico, a sua ética, a do asceta que, apesar de condescendente e bonacheiro, desnuda o homem para que ele se não esqueça de que a vida tem de ser a preparação da morte.
            O saber científico, que se constrói com o senso rígido e frio da exactidão, não lhe estava na índole, nem tão-pouco o visionou nos anos em que se alargam os horizontes da visão intelectual. Somente aprendeu e soube o saber que nutre directamente a conduta do homem para com Deus, para com o Rei e para com os demais homens, e esse saber, que teve sempre por sustento e fito o mais veemente amor a tudo quanto era português, encontrou-o já sistematizado em Sumas e Artes, e alcançou-o talvez numa aula claustral para noviços ou aprendizes de clérigo, talvez numa escola superior, como escolar teólogo, mas não com qualquer cura sertanejo e ainda menos por exclusivo esforço de autodidacta.

Joaquim de Carvalho, “Os Sermões de Gil Vicente e a Arte de Pregar”, in Obra Completa, vol. II – História da Cultura, 1948-1955, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1983, pp. 45-47.



terça-feira, 1 de setembro de 2015

SETEMBRO, SOPHIA

Gravura de Eugène Grasset, "Septembre", in Les mois. Daqui.


Oblíquo Setembro de equinócio tarde
Que se alonga e depara e vê e mira
Tarde que habita o estar do seu parado
Sol de Sul pelo sal detido

Assim o estar aqui e o haver sido
Quasi a mesma que sou no tão perdido
Morar aberto de um Setembro antigo
Com o mar desse morar em meu ouvido

Pura paixão que não conhece olvido

Sophia de Mello Breyner Andresen, "Pura paixão que não conhece olvido", in Portugal Socialista, janeiro de 1984.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

FÉRIAS... COM LIVROS

Pas un gadget en vue. Porto Bay Trade. Imagem daqui.


"Se os livros fossem publicados anonimamente, sem o nome do autor, resolvia imensos problemas. Ou então deviam ter o nome do leitor, porque é ele que escreve o livro."

António Lobo Antunes, Sol, suplemento Tabu, 02/02/2008


quarta-feira, 8 de julho de 2015

NOVELAS EXTRAVAGANTES





Quatrocentos mil sestércios. Uma dívida por cobrar. Um filho de centurião numa demanda pelas carreteiras dessa Lusitânia, cada ventura desfiando sua desventura, e a deusa Fortuna de guarda às peripécias deste pobre cidadão romano. As Cruzadas. Um cavaleiro regressa da Mourama. Uma promessa por cumprir, uma nubente amarga que exige desafronta, e a deusa Fortuna que não recompensa os audazes. Os últimos tempos do Marcelismo. Um jovem revolucionário num périplo nocturno por Lisboa. Toda uma cidade de conluio com a polícia política para o apanhar, e a deusa Fortuna que falha ao encontro em certo dia de Abril.
Da contracapa da obra.



quarta-feira, 1 de julho de 2015

"Onde os nossos livros se acabam, ali começam os seus..." - O JAPÃO EM FONTES DOCUMENTAIS DOS SÉCULOS XVI E XVII

Chegada de três jovens samurais à Europa enviados por daimios cristãos japoneses. Gravura holandesa do século XVII (BNP, E. 1669 P.)
Imagem, legenda e informações detalhadas aqui.


Exposição patente no Museu do Livro, de 16 de julho a 15 de outubro de 2015.
A entrada é livre.