Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs

Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian
Escola Secundária José Saramago - Mafra

terça-feira, 16 de outubro de 2018

RAJADAS DE FLORES


Eugène Delacroix, Bouquet de Fleurs.
Imagem daqui.





BALAS NO DICIONÁRIO

As nossas palavras são armas. Umas disparam balas, capazes de ferir muitos sentimentos. Outras são pacíficas, atiram flores, tendo um impacto de bondade. Outras falham o tiro, não conseguindo acertar no alvo.

Por vezes, saem-nos tiros disparados, impulsivos, que atingem no coração a pessoa que os recebeu. O problema? A ferida que originam é totalmente invisível. Por vezes, nem nós sabemos bem o que dissemos. Estas palavras são o pior tipo de palavras. Aquelas que, juntas, conseguem matar. Há quem as diga com o intuito de magoar, há quem as diga por ter perdido o controlo da arma. Mas, quando as dizemos, não as podemos retirar, elas foram ditas, ouvidas, assimiladas. Há, por exemplo, quem não goste de pessoas diferentes de si. Por vezes, ouvimos alguém dizer "tu és horrível", pela simples razão de que a pessoa tem um tom de pele diferente ou uns olhos mais rasgados. Outras vezes, ouvimos quem chame "burro" a quem não tem uma licenciatura. (...) Estas armas não deveriam ser disparadas. Salvo raras exceções, se o que estamos prestes a dizer vai magoar alguém, não deve ser dito. Principalmente sendo apenas opiniões - não factos. Cedo aprendi que alguém achar algo de ti não o faz de todo verdade.

Há, porém, outro tipo de palavras. Essas armas, uma vez premido o gatilho, disparam flores. Rosas, margaridas, cravos, violetas. Muitas vezes, simples palavras provocam grandes sorrisos. Estas deviam ser utilizadas muitas mais vezes. Acho maravilhoso termos esse poder nas mãos, o poder de melhorar o dia do outro. Defendo que o que consideramos ser bom numa pessoa deve ser dito, ouvido. Basta dizermos simples palavras como "gosto muito da forma como te vestes" ou "tu és uma pessoa incrível". Desde que sejam palavras sinceras, devem ser ditas sem restrição. Infelizmente, usamo-las pouco. O melhor destas flores que disparamos é que florescem e originam mais. Facilmente, através de um simples elogio, criamos uma onda de boas energias e sentimentos. Por exemplo, quando confessamos a um amigo que o adoramos - certamente que o dia dele melhorará, e o nosso também.

Concluindo, as palavras são das coisas mais importantes do mundo, só temos de ter a certeza de que as utilizamos bem, mesmo sem manual de instruções.


Francisca Fonte, Aluna do 12ºLH4 desta Escola.



sexta-feira, 12 de outubro de 2018

POESIA DE LUÍSA CORDEIRO (30)


“ O quadro de mim”

 

Com as palavras,

pinto um quadro,

surreal

porque perfeito.

 

A tinta,

é cor do sangue

que lhe dá cor,

a tela,

é o meu peito

emoldurado.

 
 

Luísa Cordeiro
 

11.10.2018

 

COMO FOMOS, ASSIM ESTAMOS - PORTUGAL ESCRITO PELOS PORTUGUESES, E NÃO SÓ


Todas as informações sobre o lançamento do livro encontram-se aqui.




segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O «NOSSO» PRÉMIO: 20 ANOS DO NOBEL DE JOSÉ SARAMAGO


Diploma concedido a José Saramago pela Academia Sueca como Prémio Nobel da Literatura, 1998.




"Com o intuito de recordade aqueles dias de alegria em que a literatura esteve na rua, no topo dos noticiários e na ordem do dia da política, é organizada esta pequena mostra em homenagem ao Prémio Nobel da Literatura de 1998. Além de jornais e revistas, nacionais e estrangeiros, com notícias sobre a atribuição do prémio a José Saramago, estão expostas mensagens que o escritor recebeu, de personalidades públicas e leitores anónimos, de parabéns e agradeciemnto pela conquista. É também visível uma pequena parte do espólio do escritor, nomeadamente o manuscrito de Levantado do Chão e um caderno com textos preparatórios deste romance, que foi confiado, através de um protocolo de doação, pela FJS à BNP em 2016.

Na ocasião, irão ser lançados os livros Último Caderno de Lanzarote, diário de José Saramago referente ao ano de 1998, e Um País Levantado em Alegria, de Ricardo Viel, que relata os bastidores dos dias que antecederam e se seguiram ao anúncio do Prémio, cuja apresentação estará a cargo de Carlos Reis."

Imagens e texto do sítio da BNP.

Mostra: de 12 de outubro a 29 de dezembro de 2018
Lançamento: 12 de outubro de 2018, pelas 18h00
BNP



O AZULEJO PORTUGUÊS NO LIVRO




Mostra patente de 8 de outubro a 28 de dezembro de 2018, na Sala de Referência da Biblioteca Nacional de Portugal.



quarta-feira, 3 de outubro de 2018

terça-feira, 2 de outubro de 2018

GATOS-GATOS E GATOS-PALAVRAS

Imagem daqui.



Uma prosa sobre os meus gatos

Perguntaram-se um dia destes
ao telefone
por que não escrevia
poesia (ao menos um poema)
sobre os meus gatos;
mas quem se interessaria
pelos meus gatos,
cuja única evidência
é serem meus (digamos assim)
e serem gatos
(coisa vasta, mas que acontece
a todos os da sua espécie)?
Este poderia
(talvez) ser um tema
(talvez até um tema nobre),
mas um tema não chega para um poema
nem sequer para um poema sobre;
porque é o poema o tema,
forma apenas.
Depois, os meus gatos
escapam de mais à poesia,
ou de menos, o que vai dar ao mesmo,
são muito longe
ou muito perto,
e o poema precisa do tempo certo
de onde possa, como o gato, dar o salto;
o poema que fizesse
faria deles gatos abstractos,
literários, gatos-palavras,
desprezível comércio de que não me orgulharia
(embora a eles tanto lhes desse).
Por fim, não existem «os meus gatos»,
existem uns tantos gatos-gatos,
um gato, outro gato, outro gato,
que por um expediente singular
(que, aliás, também absolutamente lhes desinteressa)
me é dado nomear e adjectivar,
isto é, ocultar,
tendo assim uns gatos em minha casa
e outros na minha cabeça.
Ora só os da cabeça alcançaria
(se alcançasse) o duvidoso processo da poesia.
Fiquei-me por isso por uma prosa,
e mesmo assim excessivamente corrida e judiciosa.

31/ 3/ 99

Manuel António Pina, Todas as Palavras - Poesia Reunida, Porto, Porto Editora, 2015, pp. 270-271.




segunda-feira, 1 de outubro de 2018

IN MEMORIAM: CHARLES AZNAVOUR, 1924-2018

MÊS INTERNACIONAL DA BIBLIOTECA ESCOLAR 2018


A partir do tema definido pela International Association of School Librarianship (IASL) para o International School Library Month (ISLM) em 2018, "Why I love my school library", a RBE procurou uma formulação que melhor traduzisse para a língua portuguesa a ideia transmitida, optando-se por uma linguagem híbrida em que todas as gerações se reveem: “Eu   biblioteca escolar.

Desafio para os alunos:

A partir do lema e com a hashtag #Eu♥BE, a RBE convida os alunos a demonstrar a sua relação com a biblioteca escolar.

Instruções:
- Criar uma frase, um meme, uma foto, um vídeo, … original que ilustre a sua ligação à biblioteca escolar;
- Partilhar no Facebook e/ou no Instagram com a hashtag #Eu♥BE.

A RBE divulgará nos seus canais as propostas mais criativas que surgirem. 

 Fonte: RBE

DISTANTE MELODIA


Claude Monet, Catedral de Rouen (1894).
Imagem daqui.




(...)

Balaústres de som, arcos de Amar,
Pontes de brilho, ogivas de perfume...
Domínio inexprimível d'Ópio e lume
Que nunca mais, em côr, hei de habitar...

Tapêtes doutras Persias mais Oriente...
Cortinados de Chinas mais marfim...
Aureos Templos de ritos de setim...
Fontes correndo sombra, mansamente...

Zimbórios-panthéons de nostalgias...
Catedrais de ser-Eu por sobre o mar...
Escadas de honra, escadas só, ao ar...
Novas Byzancios-alma, outras Turquias...

(...)

Paris 1914 - Junho 30


Mário de Sá-Carneiro, "Distante melodia...", in AAVV, Orpheu, vol, I - 1915, edição fac-similada (digitalização: biblioteca da Casa Fernando Pessoa), Lisboa, Edições Tinta-da-china, 2015, p. 13.




quarta-feira, 26 de setembro de 2018