Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs

Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian
Escola Secundária José Saramago - Mafra

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

CONCURSO BLOGS DO ANO 2012

Imagem: blogue Aventar

 INFORMAÇÃO

A pedido dos organizadores do concurso promovido pelo blogue AVENTAR, vimos esclarecer que as irregularidades referidas no post do dia 12-1-2013 são técnicas.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

CINEMA E POESIA

Greta Garbo, em Rainha Cristina, de Rouben Mamoulian (1933)
Imagem daqui.


“ADEREÇOS E GUARDA-ROUPA

O casaco de Cher
no filme Sob Suspeita
O sorriso de Cher
no mesmo filme
e os olhos grandes
As costas nuas
de Nicole Kidman
a abrir o genérico
A mala de Jerry Lewis
no Homem das Mulheres
Lewis outra vez
com as calças curtas
e os dentes de coelho
A caixa de madeira
oferecida pelo filho
de Henry Fonda
a Miss Lilith
(Arrebatamento
é a palavra
dita por Vincent)
O tremor do par
que se senta no sofá
da Idade da Inocência
O vestido dela
as mãos dela
e os olhos dele
no pescoço dela
O copo de Dean Martin
no filme Rio Bravo
A roupa interior
da mulher de Rio Bravo
todos os objectos
de Rio Bravo
e todos os gestos
que ali se contemplam
A cicatriz no olho
de Marlon Brando
e o dar a ver a alma
como uma cicatriz
O brilho de Eleanor Parker
em O Homem
do Braço de Ouro
por nada
só porque brilha
Garbo no final
de Rainha Cristina
ela que tinha o apelido
de Gustafsson
e aquele terror
cândido e neutro
de quem sabe
que o amor não está
onde o convocamos
A suave Jean
mais uma imagem
perguntando baixinho
o que ele sabe
da vertigem
com que Lilith
vai enlouquecer
o paraíso prometido
e também o inferno
já alcançado
O pânico de Pacino
sentado em Needle Park
tudo tão azul
como uma mensagem
de um oceano furioso
Há mais azuis
nos cenários de cristal
da memória
enquadrada pelo
presente a desmoronar-se
Eu até vi azul
na planície cósmica
do Rio Vermelho
O casaco amarelo
de Dick Tracy
e também o chapéu
As lágrimas
de Sarah Jennings
e o método
com que ela as chora
O olhar em volta
sou eu a atravessar
os salões do palácio.”
João Lopes, “Adereços e Guarda-Roupa”, in Poemas com Cinema, antologia organizada por Joana Matos Frias, Luís Miguel Queirós e Rosa Maria Martelo, Lisboa, Assírio & Alvim, 2010, pp.121-124.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O GUARDA RIOS

Fotografia do Professor Martinho Rangel

É tão difícil guardar um rio
quando ele corre
dentro de nós

Jorge de Sousa Braga
(Os Pés Luminosos, 1987)

DA CONCISÃO IX

"(...) «Deixe-o falar. Incline a cabeça para o lado, altere o ângulo de visão.» (...)"
 
Carlos de Oliveira, "Estrelas", in Trabalho Poético, Lisboa, Livraria Sá da Costa Editora, 1982, p.91.
 
 

sábado, 12 de janeiro de 2013

CONCURSO BLOGS DO ANO 2012


Imagem: blogue Aventar

INFORMAÇÃO


As autoras do blogue LER PARA SER decidiram retirá-lo do concurso, promovido pelo blogue Aventar, para que o seu trabalho não fique associado às irregularidades verificadas no decorrer do período de votação.

Agradecemos a todos os que votaram. Mais importante do que um prémio são os LEITORES/VISITANTES deste blogue. Bem hajam!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA (14)

Contos dos Irmãos Grimm




Fotografias do Professor Martinho Rangel

Em 20 de dezembro comemorou-se o bicentenário da publicação, em Berlim, do primeiro volume dos Kinder- und Hausmärchen (Contos para as Crianças e para a Família), que incluía os contos infantis Branca de Neve e os Sete Anões, Cinderela e o Capuchinho Vermelho , entre muitos outros. Estas histórias rapidamente ganharam popularidade tendo sido traduzidas em várias línguas.

Os onze painéis que constituem a exposição, patente no átrio da biblioteca, foram oferecidos à escola pelo Goethe Institut (Lisboa).

Dinamização: Equipa da BE e Professora Leonor Barros.

MIGUEL TORGA SOBRE FERNANDO PESSOA I

Imagem daqui.


“Fernando Pessoa, na sua complexidade intelectual, originalidade e cultura, é um caso à parte, que o presente aceita já como grandeza sem par, e que o futuro há-de avolumar ainda. Rosa-dos-ventos com antenas em todas as direcções, a sua pena é uma agulha de sismógrafo, sensível e científica. A inteligência vibra nos seus versos com a intensidade da emoção. E as duas forças controlam-se e revigoram-se mutuamente. Acabou-se o derrame sentimental, a inspiração tumultuosa, o mau gosto. Entrou a disciplina no Parnaso: uma ordem imprevista, mágica e objectiva, e duma simplicidade que de tão genial parece infantil. Finalmente, uma flor é uma flor apenas. Mas sabe-se isso agora pela primeira vez. E sabe-se através de uma poesia que se recusa a ensinar, que diz para dentro, que se abstém o mais que pode dos ruídos da rima e do hipnotismo da eloquência.
Como certos acontecimentos que marcam o caminho da história, Fernando Pessoa é um acontecimento no mundo literário português. Não é um grande poeta a mais que aparece: é uma presença que baliza uma época.”

Miguel Torga, “Panorama da Literatura Portuguesa”, excerto da conferência realizada na Faculdade de Filosofia do Rio de Janeiro, em 17 de agosto de 1954, in Ensaios e Discursos, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2001, pp.162-163.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A VIDA DE PI

 A Vida de Pi, filme realizado por Ang Lee (2012)
Imagem daqui.
  

“CAPÍTULO 7
Foi para mim uma sorte ter tido alguns bons professores na juventude, homens e mulheres que entraram na minha cabeça obscura e acenderam um fósforo. Um deles foi o Sr. Satish Kumar, o meu professor de biologia no Petit Séminaire e um comunista activo que estava sempre à espera que Tamil Nadu deixasse de eleger estrelas de cinema e seguisse o exemplo de Kerala. (…)
O Sr. Kumar foi o primeiro ateu confesso que eu conheci. Descobri isso não na aula, mas no jardim zoológico. Ele era um visitante regular que lia integralmente as tabuletas e as notas descritivas (…). Cada [animal] era para ele um triunfo da lógica e da mecânica, e a natureza como um todo era uma ilustração excepcionalmente perfeita da ciência. Aos seus ouvidos, quando um animal sentia o impulso para acasalar estava a dizer «Gregor Mendel», lembrando o pai da genética, e quando era tempo de mostrar o seu temperamento, dizia «Charles Darwin», o pai da selecção natural, e aquilo que nós considerávamos balidos, roncos, silvos, resfôlegos, rugidos, uivos, gorjeios e ganidos eram apenas sotaques, indistintos para os estranhos. Quando o Sr. Kumar visitava o zoo, era para tomar o pulso ao universo, e o seu espírito estetoscópico confirmava-lhe sempre que tudo estava em ordem, que tudo era ordem. Saía do zoo sentindo-se cientificamente revigorado.(…)”
Yann Martel, A Vida de Pi, Lisboa, Difel, 2003, pp. 42-43