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Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian
Escola Secundária José Saramago - Mafra

segunda-feira, 1 de abril de 2013

PORTUGAL NA FEIRA DO LIVRO DE BOGOTÁ

 
 
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Portugal participará como "País de Honor", de 18 de abril a 1 de maio, na 26ª edição da Feira Internacional do Livro de Bogotá, na Colômbia, (FILBO 2013). 

 


 

 

sábado, 30 de março de 2013

PÁSCOA 2013

Caravaggio, Cena in Emmaus (1601)
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A concreta circularidade do espaço ocupado, o espanto feito deslumbramento e a serenidade confiante, a contrastante e inteligente distribuição da luz e da sombra, a singela alvura do branco vencendo a supremacia da cor e a centralidade luminosa da figura principal fazem pensar na cíclica concretização do milagre da Vida...
 
 

quinta-feira, 28 de março de 2013

DA SAUDADE IX

Marc Chagall, Paysage Vert (1949)
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“A saudade e o sebastianismo são as duas principais características da cultura portuguesa geralmente apontadas em textos que ensaiam uma definição do homem português (da alma portuguesa) ou, como alguns preferem dizer, da personalidade cultural portuguesa. Pensadores ligados ao movimento da filosofia portuguesa – de Sampaio Bruno, Cunha Seixas e Álvaro Ribeiro aos mais modernos como António Quadros ou Pinharanda Gomes – e mais isolados entre si como Jaime Cortesão, Magalhães Godinho, Cunha Leão, Agostinho da Silva, Eduardo Lourenço, António José Saraiva, Joel Serrão, Manuel Antunes, Orlando Ribeiro ou Jorge Dias, por exemplo, deram, e alguns dão ainda, importantes contributos para a definição do homem português e do carácter nacional. Interessa, porém, salientar, desde já, que, a nosso ver, não é tanto a veracidade dos traços apontados que nos importa (…), mas a forma como estes espelham uma imagem que de nós próprios fomos construindo ao longo de séculos. A Saudade e o sebastianismo, então, podendo ser ou não, do ponto de vista cultural, características que, de facto, nos individualizam, são, com certeza, imagens multisseculares com as quais nos identificamos, passíveis de condicionar, por sua vez, muitas das nossas manifestações culturais. A insensibilidade a este modo de perspectivar o problema tem sido, parece-nos, a principal razão das acesas polémicas que tais temas têm suscitado.
Comecemos pela Saudade, palavra de sentido dito intraduzível dada a complexidade afectiva que pressupõe, sentimento-ideia tido como peculiar do povo português, cuja constância e persistência na cultura portuguesa tem sido atestada por numerosos críticos, sobretudo como motivo de inspiração lírica e de reflexão filosófica. Assim, descobrem-na na poesia e na prosa portuguesas com uma incidência estatisticamente superior à de qualquer outra literatura, das cantigas de amor e de amigo ao Cancioneiro Geral, não esquecendo a Menina e Moça de Bernardim Ribeiro ou um Frei Agostinho da Cruz, de Sá de Miranda a Garrett, de António Nobre aos mais modernos, como Irene Lisboa, Rodrigues Miguéis ou David Mourão-Ferreira, e apontam-na como tema rico de implicações várias em textos filosóficos, principalmente portugueses e galegos, que sublinham a complexidade deste nó afectivo de difícil penetração. Lembrança, sentido de coração, paixão de alma, tristeza da separação, gosto romântico da solidão, sentimento ontológico puro, sentimento da totalidade, do desvanecido, ânsia do Ser, oscilação entre o aqui e o ali, cobiça do longe, procura de um abrigo, desejo de um bem perdido, etc., têm sido tópicos para uma definição da Saudade que ainda hoje permanece em aberto. A primeira referência irá sempre, porém, para D. Duarte que, no Leal Conselheiro, comparava a «suidade» com outras palavras afins (nojo, pesar, desprazer, avorrecimento) para concluir da sua especificidade e intraduzibilidade, e para Duarte Nunes de Leão que, seguindo os mesmos passos, tentava a primeira definição de Saudade - «Lembrança de alguma coisa com desejo dela».
Neste percurso vivencial da Saudade tem especial relevo a figura de Teixeira de Pascoaes, seu poeta por excelência. Em primeiro lugar, porque, para além de a nomear e invocar nos seus versos, a introjectou como força-motriz de todo o seu universo imaginário, modelando o clima inspirado dos seus poemas, a composição sui generis da sua linguagem, a tessitura formal, conceptual e temática da sua escrita; depois, porque, em termos filosóficos, a elevou à altura do sentimento mais perfeito do homem, fonte da sua espiritualidade, sentimento-ideia de força ascensional, aperfeiçoadora, que vai do mineral ao espiritual e que nele conhece a sua expressão mais sagrada, o seu contacto com Deus; por fim, porque, dado o contexto histórico-social do tempo, não só a defendeu como característica individualizadora do povo português, povo privilegiado, por isso mesmo, entre os outros povos, como, sobretudo, a defendeu como possível motor do ressurgimento nacional. Ao culto da Saudade, assim encarada, chamou Pascoaes simplesmente saudosismo. (…)”
Maria das Graças Moreira de Sá, “Duas palavras sobre a Saudade e o Saudosismo”, in As Duas Faces de Jano – Estudos de Cultura e Literatura Portuguesas, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2004, pp.45-47.

 

terça-feira, 26 de março de 2013

A PAIXÃO, de Almeida Faria

Almeida Faria (nasceu em Montemor-o-Novo, em 1943)
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22
João Carlos
Estou sentado e estudo esta coisa certa e definitiva: o preço como elemento essencial da compra e venda; a manhã aberta entra pela janela no ondear já quente das cortinas; penso em outra coisa oclusa e breve completamente diferente da que estudo; um largo prato de barro serve-me de cinzeiro, posto no chão; em propícia posição para meditação, medito nesta verdade de estar vivo e dentro duma vida que, contudo, me escapa, vera vontade, pressa de com alguém falar, ainda que sobre nada; entretanto vou, com insistência, sublinhando as palavras pretium certum justam verum e em dinheiro; (…) mas eis que oiço na rua, um pouco ao longe, para além do quintal que me afasta do mundo, uma voz arrastada, fina, frágil, que me envolve de paz: anda filho, vamos mas é para casa, anda mais depressa que a mãe não pode com o saco, anda filho, anda depressa, que o pai quer o almoço e não o tenho ainda, e não te pares assim constantemente no caminho, anda filho, anda depressa, dá-me a tua mãozinha senão o lobisomem leva-te, anda, vamos para casa; e os passos a par se afastam, pela calçada que sobe, cheia de som e eco da manhã que também, a custo, a pulso, sobe; com ela me volto, em solidão e difícil harmonia, para uma condição de estudo e de universidade; a universidade é um conjunto de edifícios novos, arrogantes, pretendendo-se belos, ali em pleno campo raso, verde durante grande parte do ano; ponta de Lisboa apontada ao futuro incerto, de dentro das suas vísceras velhas; velho gueto repressivo, carreirismo, inutilidade, autossuficiência vil, senil; (…) num primeiro plano lateral, a faculdade de direito, as suas formas cúbicas sobre o jardim deserto, a arcada rígida, baixos-relevos pobres na parede, com os eternos símbolos de cega justiça e barriguda família, os desenhos do átrio, humorístico-hieráticos, do Almada, com clássicos juristas desde Hammou-Rabi (2000 a.C.) até Heraclito e Pitágoras, Paulo e Agostinho, Rómulo e Remo, Apio Claudio e decênviros, os cinco da lei das citações, Gaio, Papiniano, Paulo, Ulpiano e Modestino, e por aí diante, até aos portugueses; entre esta faculdade e a reitoria (comprida a todo o equilíbrio do frontão com janelas, com míticas imagens laterais de Capricórnio e Câncer) salta a mancha de cores encarniçadas outrora vivas da cantina, de fachada de vidros, mas fechada pela polícia, tendo uma estrutura quase abstrata à ponta (…); finalmente, à extrema direita, no plano mais próximo, (…) a faculdade de letras, espelho da de direito, com figuras da dita cultura humanística, um tanto desesperadas, talvez porque sobressai D. Quixote e o Pessoa «menino de sua mãe» contrastando com a estátua de D. Pedro, o V deste nome, no pátio ajardinado; (…) agora está mais quente, está mesmo já calor; (…) do céu escorre o sono e uma sede sem tréguas nem remédio, sede da noite e do sonho (primeiro Osíris, o sol, é derrotado pela noite, Set, porém a esposa-vaca-lua, Ísis, vem procurar, pálida e triste, o seu cadáver frio e enfim o filho, Hórus, sol-nascente, vinga-se e vence, nasce, vive, esplende e uma vez mais o astro magno impera) (…).
Almeida Faria, A Paixão, Lisboa, Assírio & Alvim, 12ª edição (1ª edição em 1965), 2013, pp.102-105
 
Excerto do Prefácio, assinado por Óscar Lopes, em 12-4-1966:
“A palavra «poeta» na sua origem grega designa o fazedor ou produtor em oposição ao utente ou executante, ou seja, em literatura, o cantor, o recitador, narrador ou leitor. Originariamente, portanto, o poeta não se opõe ao prosador, até porque a prosa, como órgão literário (e até como órgão didático e doutrinário) é uma simples extensão, menos regular da poesia. Em alemão Dichter tanto designa um versificador como um novelista; uma Poética é, em sentido clássico, uma teoria e preceituário de arte literária: e a própria palavra prosa designa ainda na liturgia medieval um texto não sujeito a ritmo versificado mas sujeito a um ritmo musical, o da sequência prolongadora da palavra Aleluia. Ora, eu tenho agora pena de não existir em português uma palavra com a extensão semântica do Dichter germânico, porque era o que dava bem com Almeida Faria. A Paixão será um romance; mas é também um poema em ritmo livre, em ritmo tão livre que próprio leitor o determinará a seu modo, ad libitum do humor momentâneo, como o requer a própria pontuação aberta, toda em vírgula ou ponto e vírgula. (…)”
 

segunda-feira, 25 de março de 2013

VARIAÇÃO POÉTICA

Berthe Morisot, La Psyché ou Le Miroir, 1876
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Na luz do espelho está meu rosto,
assim brioso, assim delicado, assim firme.
Nele espreitam estes olhos curiosos
à procura do tão esperado sorriso.

A brisa veio ter comigo,
arrancando de mim
a escondida tristeza,
despertando, assim, meu coração.

Olhei para o espelho
e assim me vi
com o sorriso há muito esperado.
Ao vento da mudança agradeci.


Criação feita a partir do poema de Cecília Meireles, "Eu não tinha este rosto de hoje,"
da autoria da Aluna Filipa Reis, do 10º P, desta Escola.
 
 

quinta-feira, 21 de março de 2013

A POESIA NO SEU DIA


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A uma dama que lhe mandou pedir algumas obras suas

 
Senhora, se eu alcançasse,
No tempo que ler quereis,
Que a dita dos meus papéis
Pela minha se trocasse;
E por ver
Tudo o que posso escrever
Em mais breve relação,
Indo eu onde eles vão,
Por mim só quisésseis ler;

 
Depois de ver um cuidado
Tão contente de seu mal,
Veríeis o natural
Do que aqui vedes pintado;
Que o perfeito
Amor, de que sou sujeito,
Vereis áspero e cruel:
Aqui, com tinta e papel;
Em mim, com sangue no peito.

 
Que um contínuo imaginar
Naquilo que o Amor ordena,
É pena que, enfim, por pena
Se não pode declarar;
Que, se eu levo
Dentro na alma quanto devo
De trasladar em papéis,
Vede qual melhor lereis:
Se a mim, se aquilo que escrevo.

Luís de Camões, Lírica, Círculo de Leitores, 1980, pp.59-60.
 

SEMANA DA LEITURA 2013 (3)


Os alunos do Curso Profissional de Apoio à Infância (11.º Q2), acompanhados pela professora Ema da Silva, voltaram a surpreender os utilizadores da BE. Desta vez apresentaram uma pequena dramatização sobre os livros e a leitura, entre outros temas.

quarta-feira, 20 de março de 2013

PRIMAVERA


22
 
Primavera
 
A Flauta fala!
Agora cala.
A cantoria
Noite e Dia.
Rouxinol
Lá no vale,
Cotovia
Lá no Céu,
Tão Alegres, a acolher o Ano.
 
Menino,
Cheio de vida,

William Blake, Cantigas da Inocência e da Experiência, edição bilingue, Lisboa, Antígona, 2007.