Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs

Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian
Escola Secundária José Saramago - Mafra

quinta-feira, 6 de junho de 2013

POESIA DE ADRIANO ALCÂNTARA (VIII)

Fotografia do Professor Adriano Alcântara
TALVEZ

É só uma hipótese
a trave mestra da convicção
Mas seja como for é uma dor
merecida até ao ponto
de quem a merece
Um cor ou ave
voando num quadro
maluco assim
como um lamento
lento
Ou qualquer outro vago
numa enorme vaga
a vencer

quarta-feira, 5 de junho de 2013

O LEGADO DA POESIA ÁRABE EM PORTUGAL


Imagem daqui. 



“É ao considerarmos as destruições de manuscritos árabes – no nosso território não subsistiu nem um único dos tempos andalusinos – levadas a cabo pela intolerância religiosa e pelo decurso do tempo, que nos espantamos ao constatar quantos nomes de figuras luso-árabes ilustres que chegaram até nós. De muitos deles perdurou, não apenas o nome, mas também a obra, ou parte dela, graças a manuscritos esquecidos em velhas bibliotecas, de Fez a Istambul. Não fora essa circunstância e os árabes filhos do nosso território não passariam de nebulosos fantasmas iguais aos das lendas, sem rosto e, quase sempre, sem nome. (…)
O gosto pela poesia era, nesses tempos, de tal maneira marcante que os árabes não deixavam de incluir versos em qualquer tipo de obras, versassem elas sobre Gastronomia, Medicina, Agricultura, Astronomia, Matemática ou, obviamente, Literatura.
Se em todas as culturas a poesia é o imo das Belas-Letras, na cultura muçulmana essa é uma verdade desde sempre corporizada interiormente pelos árabes. Como diz Burckhardt (La Civilización Hispano-Árabe), «as línguas tendem a empobrecer-se com o decurso do tempo e não a enriquecer-se, e a riqueza original, não desgastada com o passar do tempo, que possui a língua árabe, manifesta-se precisamente na imensa riqueza de palavras e possibilidades expressivas; ela é capaz tanto de designar um só objecto com vários termos, focando-o de diferentes perspectivas, como de compreender através de um só termo vários significados de coordenação interior mútua sem jamais ser ilógica.»
O árabe beduíno do deserto, que fundou as matrizes da civilização muçulmana, não tinha outra riqueza senão a língua. Por isso estimou-a, primeiro enquanto potencial poético, e depois como idioma sagrado, com o advento do Islão. Os andalusinos, uns árabes de origem e outros arabizados, mantiveram esta dinâmica e este culto do verbo legando-nos milhares de obras poéticas, algumas das quais figuram entre os maiores momentos da criação literária da Humanidade.
Portugal tem o privilégio de contar entre os filhos do seu território muitos dos mais notáveis poetas que o Alandalus produziu. O seu riquíssimo legado deu lugar, inclusive, a novas morfologias literárias que vieram a contribuir para o surgimento da lírica trovadoresca, após a conquista cristã. O génio peculiar dos árabes andalusinos criou, com efeito, a muwashshaha e o zajal, géneros estróficos desconhecidos da poesia árabe clássica, o que dá testemunho dos processos de osmose cultural entre as tradições árabe e românica.
O tema da saudade, fundador da lírica portuguesa, é filiável, em nossa opinião, no lamento de amor (nasib) da ode (qasîda) árabe. (…)
Se, por outro lado, considerarmos a incomparável mais-valia da poesia portuguesa relativamente a todas as outras modalidades da nossa literatura, e o jeito improvisador do nosso povo para as «rimas», exactamente como sucede entre os árabes, difícil de torna excluir uma parentela espiritual nesse domínio.”
Adalberto Alves, A Herança Árabe em Portugal, CTT Correios de Portugal, 2001, pp.65-69.

 

EXAMES À PORTA

Multimédia: Marcelo Almeida, 12.º S3

Deixamos igualmente a sugestão de sítios com informação relevante:
Guia Geral de Exames
GAVE
Guia do Estudante

Os manuais de preparação para os exames estão disponíveis na BE da ESJS.
 

terça-feira, 4 de junho de 2013

DA CONCISÃO XXIV


Imagem daqui.



"No princípio, desenvolveu a ideia de que o arco-íris era uma ponte:"


Nuno Júdice, "A Imagem do Vento", in La Poesia Corrompe le Dita, antologia poetica a cura di Adelina Aletti, Verona, Colpo di Fulmine Edizioni, 1991.
 
 

POESIA DE ADRIANO ALCÂNTARA (VII)

Fotografia do Professor Adriano Alcântara

COMBOIO

Partir assim já de verso
como comboio lançado
fora da metáfora
dos carris
Chegar sabe-se lá agora
a estação e devorar de novo
a linha delimitando férrea o horizonte
onde mora o descanso
prometido
Partir de novo coração
noutro verso perdido
onde resta calma
a razão
a viagem

segunda-feira, 3 de junho de 2013

FESTIVAL DO DESASSOSSEGO

 
Imagem daqui.
 
 
11, 12 e 13 de junho de 2013
Casa Fernando Pessoa
 
 
 

AQUISIÇÕES RECENTES



ANTUNES, António Vaz – Palavras com Alma. Mafra: Família Vaz Antunes. 2010. 384 p. 


DINIS, Júlio – As Pupilas do Senhor Reitor. Porto: Porto Editora. 2011. 384 p. ISBN 978-972-0-04966-7


MONTEIRO, Luís de Sttau – Felizmente há Luar! Maia: Areal Editores. 2011. 140 p. ISBN 978-972-627-744-6


SARAIVA, António José - História de Portugal 1. Lisboa: Publicações Europa-América. 2013. 112 p. ISBN 978-8559-35-7


SILVA, Francisco Vaz da (coord.) – Irmãos Grimm: Contos da Infância e do Lar (Volume I). Maia: Círculo de Leitores. 2012. 2.ª ed. 531p. ISBN 978-972-989-644-185-2


QUEIRÓS. Eça de - O Mandarim. Porto Editora. 2010. 93 p. ISBN 978-972-0-04968-1


QUEIRÓS. Eça de - Os Maias. Lisboa. Editora Livros do Brasil 2008. 731 p. ISBN 978-972-38-0603-8

sábado, 1 de junho de 2013