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Escola Secundária José Saramago - Mafra

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

DA MEMÓRIA VI





In Victor Hugo's Notre Dame de Paris, a scholar, deep in meditation in his study high up in the cathedral, gazes at the first printed book which has come to disturb his collection of manuscripts. Then, opening the window, he gazes at the vast cathedral, silhouetted against the starry sky, crouching like an enormous sphinx in the middle of the town. 'Ceci tuera cela', he says. The printed book will destroy the building. The parable which Hugo develops out of the comparison of the building, crowded with images, with the arrival in his library of a printed book might be applied to the effect on the invisible cathedrals of memory of the past of the spread of printing.

Frances Yates, The Art of Memory, London, Pimlico, 2012, p. 131.




quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

POESIA DE LUÍSA CORDEIRO (26)


"O meu espírito"


O meu espírito,
é livre
como os nómadas,
viaja
como os ciganos,
sente
o salgado do mar
nas viagens
de todos os marinheiros,
e,
não se prende
às vis certezas
da Terra.

O meu espírito,
fala a linguagem
das andorinhas,
das gaivotas 
e dos golfinhos.

O meu espírito,
junta-se
ao vento que passa
e namora as estrelas
depois de amar
o fogo
de cada poente.

O meu espírito,
sou eu,
e sei,
que depois daqui,
segue
em direção ao céu.


Luísa Cordeiro


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

DA CONCISÃO XCV

Imagem daqui.



quem?
mim-
guém?

Arnaldo Antunes, Antologia, Vila Nova de Famalicão, Quasi Edições, 2006, p. 13.



sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

POESIA DE LUÍSA CORDEIRO (25)


"O corcel e o cavaleiro enamorado"


O corcel
do cavaleiro enamorado,
é branco como a neve,
doce e leve,
que vai caindo
de mansinho
sobre o rosto
amorenado
do cavaleiro enamorado
que percorre
o seu caminho,
sempre sozinho,
no seu corcel
branco nacarado.

E,
pouco a pouco, 
a neve,
branca e leve,
vai deixando aparecer
nas roseiras
que ladeiam
o caminho,
botões
e rosas
já abertas, 
tão formosas,
tão belas
e perfumadas
que o cavaleiro enamorado
desce do seu corcel
tão branco e leve
como a neve
e colhe 
em seu peito
o cavaleiro enamorado,
de rosas,
tão belas,
tão maravilhosas,
uma braçada,
e,
subindo em seu corcel
tão branco e leve
como a neve,
segue,
em direção à sua amada.


Luísa Cordeiro

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

O CEDRO

Imagem daqui.




C'est immédiat: je ne peux pas voir un cèdre, dans un jardin ou débordant d'un mur sur la rue, sans penser qu'une grande bénédiction émane de lui et s'étend sur le monde. La foule est bénie, les autobus, les camions, les voitures, les poubelles, les vélos, les scooters sont bénis. Les plus laids et les plus laides sont bénis, et aussi les vieux, les enfants, les jeunes, les femmes enceintes, les malades, les fatigués, les pressés, les rares heureux, les désespérés. Ils passent tous et toutes sous le cèdre, ils ne le voient pas, sa bénédiction silencieuse, verte et noire, filtre l'espace. On ne sait pas d'où lui vient cette tranquillité, cette ramure de sérénité.

Il vient d'Afrique ou d'Asie, le cèdre, son nom est grec et latin, il souffre au Liban et au Proche-Orient, il s'en fout, il a ses plans superposés, sa longévité, ses légendes. Ses raciones pivotent à une grande profondeur, mais sa tige, droite, couverte d'une écorce rugueuse, se termine par une flèche presque toujours inclinée et dirigée vers le nord. Il peut s'élever jusqu'à 40 mètres, et son ombre, produite par de petites feuilles étroites et pointues, est épaisse et large. Il règne, il protège, il paraît méditer, il bénit.

Philippe Sollers, L'Éclaircie, Paris, Éditions Gallimard, 2012, p. 11.