Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs

Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian
Escola Secundária José Saramago - Mafra

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

AQUISIÇÕES RECENTES


ABRAMSON, M.; GUREVITCH, A.; KOLESNITSKI, N.– História da Idade Média: A Alta Idade Média. Lisboa: Editorial Estampa. 1978. 248p.

ABRAMSON, M.; GUREVITCH, A.; KOLESNITSKI, N. – História da Idade Média: A Baixa Idade Média. Lisboa: Editorial Estampa. 1978. 328 p.

BLYTON, Enid – Os Sete e os Cães Roubados. Lisboa: Editorial Notícias. 1985. 155 p.

DIAKOV, K.; KOVALEV, S. – História da Antiguidade: A Sociedade Primitiva – O Oriente. Lisboa: Editorial Estampa. 3.ª ed. 1981. 372 p.

EFIMOV; GALKINE; ZUBOK – História Moderna: As Revoluções Burguesas.Lisboa: Editorial Estampa. 2.ª ed.  1977. 248 p.

EFIMOV; GALKINE; ZUBOK – História Moderna: O Imperialismo. Lisboa: Editorial Estampa. 2.ª ed.  1977. 270p.

FLAUBERT, Gustave – Bouvard e Pécuchet. Porto: Edições Cotovia. 2003. 285 p. ISBN 84-9789-156-2

FRANK, Anne – O Diário de Anne Frank. Lisboa: Edições Livros do Brasil. S.d. 350 p.

HARDY, Thomas – The Mayor of Casterbridge. London: Penguin Books.  386 p. ISBN 0-14-062029-X

JEROME, Jerome K. – Three Men on the Bummel. London: Penguin Books.  207 p. ISBN 0-14-062145-8

KENEALLY, Thomas - A Lista de Schindler. Porto: Editorial Notícias. 2003. 447 p. ISBN 84-96200-90-6

MELO, João de – Gente Feliz com Lágrimas. Porto: Editorial Notícias. 2002. 415 p. ISBN 84-96075-42-7

PINTO, Margarida Rebelo – I’m in love with a pop star. Lisboa: Oficina do Livro. 2003. 207 p. ISBN 989-555-038-3

REVOL, Nicolas – Maldito Profe!. Porto: Campo das Letras. 2000. 174. ISBN 972-610-322-3

AQUILINO RIBEIRO - cinquentenário da sua morte

  
 
Associando-nos à iniciativa da Associação Portuguesa de Escritores, e aproximando-se a data que assinala a passagem de 50 anos  sobre a morte de Aquilino Ribeiro, nascido em Carregal de Tabosa, Sernancelhe, em 1885, aqui deixamos um excerto de Volfrâmio, uma das obras do escritor.
 

“O senhor Pe. Tadeu mostrou-se interessado em apanhar o fio da maranha, tanto mais que tinham ido chamá-lo para exercer o seu múnus e para pantominas não estava. Mas o Cambais, divisando ali a dois passos a mulher do Lázaro Fandinga de orelhas fitas para o que se dizia, restringiu-se a piscar o olho e a sorrir malicioso. Em compensação rompeu logo a contar pela centésima vez a história da «grande pouca-vergonha» de que era vítima. A guarda de Orcas da Beira, à ordem do senhor administrador, viera-lhe fazer um varejo a casa e, além de lhe apreender o volfrâmio que lá tinha e multá-lo em cinco contos e quatrocentos a pretexto de que executava trabalhos de mineração fora de todo o regulamento, avisara-o que tinha a satisfazer uma renda vitalícia à gentinha dos desgraçados que haviam pateado no Santo Antão. Irra, irrório, senhor Ligório, não era bastante quanto amanhava ainda que passasse a comer o caldo sem unto! Pelo que respeita à multa, não havia dúvida que, se a lavra de Santo Antão fora dada ao manifesto pelo Dr. Torres, dono do terreno e endossante, para trabalhos que se seguiram, em contra do que dispunha a lei, os técnicos não tinham sido ouvidos nem chamados. Mas em muitas outras partes não sucedia a mesma coisa e as autoridades não faziam vista grossa? Quanto ao rescaldo do desastre que atirara para o maneta com os dois homens, casados e pais de filhos, a responsabilidade era, como para o mais, colectiva. Estava persuadido que, tapando-se a boca das viúvas com umas centenas de escudos, a exigência dava em águas de bacalhau. Mas haviam de pôr todos o ombro, e não ser só ele a mandar para a vila juncos de trutas e cabritos. Em Orcas, em atenção ao Calhorra, presidente da Junta da Parola e todo deles, e também do Antoninho Fráguas, manda-chuva daquelas parvónias, praticaram, enquanto lhes pareceu, a política do olho morto. Mas assim que ficaram cientes de que o filho do Fráguas estava debaixo da terra a fazer tijolo e o Calhorra, o grande patife, se desquitara do negócio, toca a andar com a devassa. Quem havia de pagar as favas? O senhor Pe. Tadeu, não – e ele estava plenissimamente de acordo – por todos os motivos e mais um, encerrado na sentença que ouvira a um tolo: dizem e dirão que a pega não é gavião. Então quem? Ora, estava ali aquele sendeiro do Zé dos Cambais, que uns anos por outros lavrava meia dúzia de alqueires de milho e comia as batatas com azeite, deitava-se-lhe a soga. Soga fora ela que pesava em mais de trinta e sete contos, somadas todas as despesas com jornas, madeiras, ferramentas e agora a multa e papel selado, não se falando, está bem de ver, da pretendida indemnidade. Apurados em sua mão havia por junto treze contos e setecentos. Era ele que havia de ustir com a diferença, ou fossem vinte e três contos e pico? Não estava certo, não estava. Arrotava quem podia, achava muito bem, mas ele não podia, assim Deus lhe desse a salvação!”
Aquilino Ribeiro, Volfrâmio, Lisboa, Livraria Bertrand, 1961, pp.342-344.

Imagem daqui.
 


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

DA CONCISÃO XV

Os Olhos Azuis de Yonta - Udju Azul Di Yonta, filme de Flora Gomes (1993)
 
 

«África não é só aquela que chora, mas a que ri e chora».
 
Flora Gomes, cineasta (Cadique, Guiné-Bissau, 13 de dezembro de 1949)
 
 

JOSÉ SARAMAGO 90 ANOS


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

CLARICE LISPECTOR - A HORA DA ESTRELA

Imagem daqui.
 
Integrada nas comemorações do Ano do Brasil em Portugal, e 35 anos após a morte da escritora brasileira de origem ucraniana, a exposição Clarice Lispector - A Hora da Estrela será apresentada na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
 
De 5 abr 2013 a 23 jun 2013 | 10:00 - 18:00 | Encerra às segundas
Galeria de exposições temporárias do Museu Gulbenkian  

 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

DA CONCISÃO XIV

Caligrafia de Hamid Ajami
Imagem daqui.
 
 
O bico da pena penteia a cabeleira da linguagem.

Provérbio persa.
 
 
 

DIA DOS NAMORADOS V

Divulgação de frases selecionadas.



Muito obrigada aos participantes!
 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

DIA DOS NAMORADOS IV


Querido Henrique, 

Há já algum tempo que o sol partiu, juntamente com a minha felicidade. Juntamente com o meu sorriso, com o meu amor, a minha vida. Contigo. Era tudo tão mais fácil quando permanecia no desconhecido, na ignorância. O teu amor mudou-me, assim como a tua presença e a tua pegada no meu coração. Hoje, a consciência pesa mais alto. Hoje, perdi-te. Não chorei, não gritei, não tive reacção. A tua ausência parecia impossível aos meus olhos. Alguém como tu, tão cheio de vida, de coragem, tanta coisa para dar, tanta coisa para viver, tanta coisa, e agora, nada.
O meu pensamento está constantemente contigo. No acidente. No passado e no presente. Sim, porque não tenho futuro. A esperança que me resta agarra-se ao reencontro que possibilitará uma eternidade junto a ti. Eu mal posso esperar.
O tempo aqui é fugaz. Que razão existe para que o contrário se verifique? Para todos os outros, foi apenas mais um capítulo que chegou ao fim, para mim, uma página que arrancaram brutamente, sem aviso ou precaução, de uma história promissora. O nosso capítulo não acabou, acredito até que não houve oportunidade de começar. Há quem diga que foi o destino, há quem simplesmente não tente explicar. E depois existo eu, na esperança de que tudo isto não passe de um pesadelo. Que quando acordar, vais lá estar, a meu lado, à minha espera.
Escrevo-te esta carta, na esperança que consigas ouvir estas minhas palavras de desespero, de perdão. Sem elas, estou assombrada pelo teu rancor e desprezo. Com eles não consigo viver. Não me consigo olhar ao espelho sem sentir pena desta fraca figura que por este mundo é arrastada. Perdoa-me.
Já nada me resta, se não as memórias de uma infância feliz, dos beijos proibidos e roubados, das gargalhadas e da despedida ao fim da tarde, após um dia inesquecível. Talvez um dia voltaremos a estar juntos. Quem sabe. Talvez a história não tenha mesmo terminado, talvez ainda haja futuro. Esperança. Afinal, o destino prega-nos partidas. Embora de mau gosto, a possibilidade de estar contigo novamente, ilumina o meu olhar, enche de volta a minha medida de felicidade, e faz nascer de novo o sol. Não tardarei. Espera por mim, onde o horizonte termina. Amo-te.
Sempre tua, para a eternidade,
Anabela Fernandes

DA SAUDADE VIII


Camões, por Fernão Gomes (1573-1575?)
Imagem daqui.


"Há na alma portuguesa um sentimento que a abrange toda e é a sua mesma essência; - sentimento que nasceu do casamento do paganismo greco-romano com o Cristianismo judaico, o qual tomou na nossa língua uma forma verbal sem equivalente nas outras línguas. Refiro-me à Saudade.

(...) Nestes poetas [Junqueiro, António Corrêa de Oliveira, Afonso Lopes Vieira, Jaime Cortesão, Mário Beirão, Augusto Casimiro, Afonso Duarte, etc.] que formam, por assim dizer, um Camões colectivo, o espírito lusitano sentiu-se revelado e dilatado.”


“Sendo este poeta [Camões] um génio universal, é absolutamente idêntico à nossa Raça, como Gil Vicente ao nosso Povo. E por isso, viveram nele todos os poetas passados e futuros de Portugal. Foi bucólico e triste como D. Dinis, saudoso como Bernardim, amante como Cristovam Falcão e João de Deus, apaixonado e vagabundo como Bocage; enlevou-se nas íntimas ternuras magoadas de António Nobre; rasgou na sua própria carne viva, a estátua do Desterrado e gritou a angústia metafísica de Antero.

(…) Camões, revelando a saudade esboçada por Virgílio, abriu uma nova Era à vida sentimental do homem. Para além da fraternidade humana e cristã, pressentimos hoje a cósmica fraternidade camoniana. O sentimento saudoso identifica o homem ao Universo, porque a Lembrança prende-o a tudo o que passou, e a Esperança a tudo o que há-de vir.”

Teixeira de Pascoaes, citado por Luís Filipe B. Teixeira, “A Mensagem do Encoberto”, in Portugal: Mitos Revisitados,
coordenação de Yvette Kace Centeno, Lisboa, Edições Salamandra, 1993, pp. 241-242.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

GHARB AL-ANDALUZ

Imagem daqui.
 

“A norte do Magrebe, atravessado o mar, situa-se o país chamado Al-Andaluz, ou Djazîrat al-Andaluz, nome que, na linguística árabe, substituía as toponímias fenícia de Span, hebraica de Sefarade, latina de Hispania ou de Spania. Nesta palavra compreende-se a Península Hispânica na sua integridade territorial e populacional. Os povos de Spania eram, pois, os povos andaluzes, ahl-al-Andaluz, termo que em breve se tornou predominante na geografia árabe.
O Andaluz, Alandaluz, é um país de forma triangular com três vértices: Cádis, Barcelona e Galiza, com o comprimento de 1100 milhas (desde a igreja do Corvo, no Cabo de São Vicente, ao Templo de Vénus, em Port Vendres) e a largura de 600 milhas, constituindo-se como a excelente «região do equilíbrio», não obstante o seu nome provir de al-Andalish, a Vandalícia, e um que outro geógrafo não hesita em chamar pelo nome de Ishbâniya, a corruptela árabe de Hispânia. Dentro do Andaluz há dois: o oriental, cujas águas fluem para o mar Azul, e o ocidental, que verte para o mar Verde. O primeiro é o Andaluz propriamente dito, o segundo é o Al-Gharb, o Gharb al-Andaluz, o ocidente do Andaluz, o Algarve. Neste corpo hispânico, duas regiões oferecem perfil singular: Castela, o centro geográfico, e a Galiza, a Jaliquia, terra dos descendentes de Jafé, o filho mais novo de Noé. Esta região segue-se ao Algarve, na direcção do norte, para além de Braga, quase tocando o mar dos Ingleses.
O Algarve é o ocidente andaluz por excelência. (…) A geografia árabe sobre o Algarve apresenta sucessivo enriquecimento. No século X, segundo a descrição do mouro Razís, ou Arrazí, eram termos maiores algarvios o de Beja, o de Santarém, em plena Balata, o de Lisboa, o de Ossónoba (Faro), o de Coimbra, e o da Exitania (Egitânia). Coimbra e Egitânia consideravam-se como os limites norte do domínio islâmico, já  que, para cima de Coimbra, no século XI, os reinos cristãos obteriam sucesso e poder. (…)
O esquema topográfico demonstra que o nome de Portugal é tardio, uma vez que a palavra só se formou durante o tempo da Reconquista, a meio do século XII. Portugal, Bortugâl, começava acima de Santarém, prolongando-se até ao rio Minho, tendo Coimbra como cidade maior. Como a língua árabe não possui a letra p, o som é substituído por b, o que dá ao nome nacional uma equivalência a laranja, país das laranjas. A díade Portugal a norte e Algarve a sul foi aceite pelos árabes e pelos conquistadores cristãos que, por isso, mantiveram, nos seus títulos, a coalisão: Rei de Portugal e dos Algarves, porque, além do Andaluz, havia o Algarve magrébico ou africano.
Os árabes e os povos que vieram na sua frente – incluindo os egípcios – sempre viveram em desertos; por isso ansiavam pelo oásis, a terra dos verdes e das águas, nadahah, água e favor do céu. Em todo o caso, ainda que Ocidente se entenda por Fim, o termo da cavalgada não era, nem o Andaluz, nem o Algarve, era a Terra Grande. Todavia, os predicados de oásis do Andaluz funcionaram como elementos enfraquecedores. Oásis e Paraíso são duas palavras que surgem no contexto da Guerra Santa, já na literatura bélica, já nos apologistas e geógrafos. (…) No Andaluz, capital do Magreb Alacsa, ou Ocidental, a vegetação, a brisa, o sol, os frutos, as águas, tudo é bom. As pessoas talentosas do Islão nascem no Andaluz, onde se elevam o sol e a lua da ciência, terra de génios. «Nenhum clima goza de temperatura mais igual, de um ar mais puro, de melhores águas, de plantas mais olorosas, de rocios mais abundantes, de manhãs mais gratas, de noites mais doces» [Al Marrakushi, Histoire des Almohades]. (…) Comparadas com o Andaluz, Bagdade e Damasco eram o deserto. (…)”
Pinharanda Gomes, História da Filosofia Portuguesa, 3- A Filosofia Arábigo-Portuguesa, Lisboa, Guimarães Editores, 1991, pp.39-41.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

CAMILO CASTELO BRANCO, POR NAIR BAPTISTA


Nair Baptista, 11.º O
 

DA CONCISÃO XIII

M.C. Escher, Dia e Noite
Imagem daqui.


"Quando um escritor escreve um livro não quer que a história dê para contar,
quer que dê para pensar."


José Cardoso Pires, citado por Maria Lúcia Lepecki, in Uma Questão de Ouvido -
Ensaios de Retórica e de Interpretação Literária, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2003, p.151.
 
 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

ARTE NA BIBLIOTECA (12)

  








Trabalhos dos alunos da disciplina de Desenho A do 12º F

Tendo como objectivo a divulgação dos trabalhos dos alunos e a animação da biblioteca promovendo o interesse pela mesma, esta exposição, organizada pelos alunos, mostra alguns trabalhos de exercícios de pintura figurativa a óleo, explorando técnicas de empastamento e transparência.
Apresentam também exercícios experimentais com técnicas mistas que passam pela Frottage, Grattage, Decalcomania, Pintura Matérica, Gestualismo, Dripping e Escorrido.

 Texto e fotografias do Professor Carlos Marques

CHINA: VIAJAR NO TEMPO E NO ESPAÇO

Imagem daqui.
 
De 21 a 23 de fevereiro, terá lugar, na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria, o VIII Fórum Internacional de Sinologia.
 
A Poética da Viagem, a Retórica da Viagem e a Estética da Viagem serão alguns dos temas apresentados e debatidos.
 
Está ainda programado um ciclo de cinema de filmes chineses, no M|i|Mo - Museu de Imagem em Movimento de Leiria.

 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

ESTENDAL DE FRASES DE AMOR


Fotografias do Professor Martinho Rangel
No Dia de S.Valentim, as frases escritas pelos utilizadores da BE foram expostas num estendal. Em breve, serão divulgadas as mais originais.

DIA DOS NAMORADOS III

Cartas de Amor de Fernando Pessoa


Cartas de Amor de Simão e Teresa

Cartas e Poemas de Amor (António Lobo Antunes, Sóror Mariana Alcoforado, Florbela Espanca, Camões e Fernando Pessoa)

Fotografias do Professor Martinho Rangel

Trabalhos realizados pelos alunos do 11.º O, sob a orientação da Professora Fátima Oliveira, no âmbito da disciplina de Literatura Portuguesa.
Exposição patente na Biblioteca.

EDUARDO GAGEIRO - RAPAZ DE SACAVÉM, FOTÓGRAFO DO MUNDO

Imagem daqui.
 
Foi inaugurada no passado sábado, 16 de fevereiro, dia do aniversário de Eduardo Gageiro, uma exposição de fotografia do artista. A mostra é organizada a partir de seis núcleos temáticos:
1. O rapaz de Sacavém
2. O fotojornalista
3. O fotógrafo do Mundo
4. O fotógrafo institucional
5. Os trabalhos emblemáticos
6. Obra editada
Para desfrutar de 2ª a sábado
 das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00
no Museu da Cerâmica de Sacavém
até 15 de fevereiro de 2014
 

PORTUGAL, OS JESUÍTAS E O JAPÃO - crenças espirituais e bens materiais




Imagens daqui.

Desde sábado, 16 de fevereiro, e até 2 de junho de 2013, está patente, no Museu McMullen de Arte do Boston College (EUA), a exposição intitulada Portugal, os Jesuítas e o Japão: Crenças Espirituais e Bens Materiais.
Nesta mostra ver-se-ão reunidas 70 peças da arte Namban pertencentes a instituições e a colecionadores privados dos Estados Unidos da América, de Portugal, da Grã-Bretanha e do Brasil.
 
 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

PROVÉRBIOS MEDIEVAIS

Pieter Brueghel, O Jovem, Os Provérbios
Imagem daqui.


Provérbios burlescos
 

(…) O que suscita o riso é, antes de mais, a comparação com animais, sobretudos os domésticos. Destes, a primazia vai para o asno, depois para o gato, o perro ou cão, a galinha, o porco ou bácoro, o boi, a mosca, o piolho, o rato. Nos outros animais, surgem com algum relevo a raposa e o lobo, o boi, o abutre, o bode, o carneiro e o borrego. Logo se nota que os provérbios dão conta da vida dos homens no interior da casa e se situam num cenário doméstico. Mesmo a raposa e o lobo surgem como símbolos das forças externas que ameaçam a casa. A companhia dos animais na lavoura, no pastorio ou na caça inspira afinal poucos adágios. Por outro lado, e isto parece-me ainda mais significativo, as metáforas pressupostas têm quase sempre sentido burlesco. Na maioria dos casos o animal designa o homem ou a mulher: o galo e o lobo referem-se a ele; a galinha, a raposa, a loba, a cabra, a sardinha apontam-na a ela.

Pelo contrário, o asno, o gato, o cão, o bácoro e o porco têm um sentido peculiar. O asno é como que uma espécie de prolongamento do proprietário e que, por isso mesmo, exprime a forma de agir simultaneamente habitual e ridícula do seu dono, as suas posições irredutíveis e que a pressão social ou as regras morais não conseguem vencer. Assim no célebre «Mais quero asno que me leve que cavalo que me derrube», ou no «Asno morto, cevada ao rabo». Mas a polissemia é, muitas vezes, mais rica. Assim, em «Asna velha, cinta amarela», a escolha do feminino dá um tom mais cómico à frase e torna o significado extensivo não apenas ao dono mas à própria mulher. O gato serve de metáfora para designar o indivíduo desconfiado «Gato escaldado…» ou arisco e irritável «Daí vem a tosse ao gato». De qualquer maneira, a intimidade com os animais faz deles bom espelho do homem do povo. Sem reivindicar a sua superioridade de ser racional, o homem do povo compara-se facilmente com eles, a si e à sua mulher; o comportamento animal serve-lhe, sem problemas, para definir as suas qualidades ou defeitos, escolhendo, de preferência, as situações cómicas.

O tom burlesco surge em segundo lugar, para falar do clero ou religião, dos médicos, dos estrangeiros, das donas, dos senhores e homens-bons e mesmo do demónio. (…) O riso é, obviamente, subversivo. O seu tom nem sempre é agressivo, mas escarninho ou astucioso. (…) Dos estrangeiros, os que chegam às aldeias são os beberrões e marginais, decerto mercadores ou mercenários: «Bem canta o francês, molhado o papo». Mas também ensinam, astuciosamente, a lidar com os senhores exigentes: «A senhor arteiro, servidor ronceiro»; «Com teu amo não jogues as pêras, que ele come as maduras e dar-te-á as verdes». (…)

Parece-me importante sublinhar o papel das mulheres de idade na criação e transmissão de cultura popular: inventam os provérbios e os contos, citam-nos ou contam-nos à lareira, para crianças e adultos, mas, como sabem que não têm um papel claro na tomada de decisão das famílias ou das comunidades, falam humoristicamente do seu lugar secundário, mas imprescindível, e de um bem conhecido jeito para tirarem partido da sua própria fraqueza, valorizando a experiência, a persistência, e mesmo a importância económica do seu trabalho lento mas eficaz. Com ar escarninho, devolvem as ironias dos jovens invocando o seu sentido prático e a sua independência face aos preconceitos sociais. Sabem que constituem, afinal, um importante suporte para a comunidade e a sua reprodução, assegurando a transmissão das subtis regras da sabedoria popular às novas gerações. (…)

Descobrimos, assim, por meio dos refrãos, a enorme complexidade das sociedades rurais. (…) Por detrás delas, estão mecanismos ocultos onde, pelo menos ao nível da prática, intervêm as mulheres, e mesmo as de idade, a quem é cometido o papel de transmitirem as fórmulas condensadoras do saber colectivo e de ditarem os limites dentro dos quais se devem pôr em prática as regras estabelecidas, tendo em conta o seu carácter relativo e teórico. (…)

O riso, o sarcasmo, o burlesco servem, portanto, ao vilão quer para exprimir a importância que o corpo, os animais e a casa têm na sua cultura, quer para relativizar as hierarquias sociais, as normas de respeito devido, até, às autoridades do lugar (os homens-bons) e da família (os velhos, os parentes, os compadres e comadres). É, como salienta Bakhtine, a forma de defesa das classes dependentes, rurais ou urbanas, perante a dominação das classes superiores. É a arma possível quando não se pode recorrer à revolta aberta. Não cultivam a agressão, mas a diferença.”

José Mattoso, O Essencial sobre os Provérbios Medievais Portugueses, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1987, pp.11-17.

AQUISIÇÕES RECENTES


DIOGO, José–Manuel – Steve Jobs.  Oeiras: Levoir. 2012. 126 p. ISBN 978-989-682-286-6 

ESQUIVEL, Laura – Como Água para Chocolate. Porto: Asa Editores II. 2002. 22.º ed. 229 p. ISBN 972-41-1198-9

Fado  – Património da Humanidade - Portugal 2011. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa. 2011. 41 p.

GIL, José – Portugal, Hoje: O Medo de Existir. Lisboa: Relógio d’Água. 2005. 5.ª ed.  142 p. ISBN 972- 708-817-1

MATOS, Artur Teodoro de; COSTA, João Paulo Oliveira e; CARNEIRO, Roberto – Cronologia da Monarquia Portuguesa. Maia: Círculo de Leitores. 2012. 494 p. ISBN 978-972-42-4823-3

PATO, Heitor Baptista – Almargem do Bispo: História e Tradição. Almargem do Bispo: Junta de Freguesia de Almargem do Bispo. 2012. 296 p. ISBN 978-989-20-3150-7

PEREIRA, Paulo (dir.) -  História da Arte Portuguesa 10. Rio de Mouro: Círculo de Leitores. 2008. 183 p. ISBN 978-972-42-3963-7

SÓFOCLES, Édipo Rei. Lisboa: Editorial Inquérito. 1988. 5.ª ed. 83 p.

WALTHER, Ingo F.; METZGER, Rainer – Marc Chagall 1887-1985: Poesia em Quadros. Berlim: Taschen. 1999. 95 p. ISBN 3-8228-04886-6

WHITE, Ellen G. – Como Encontrar a Paz Interior. Lisboa: Edições Une. 2007. 142 p. ISBN 978-972-99908-4-7

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

DIA DOS NAMORADOS II


 

DIA DOS NAMORADOS I

Imagem: Institut Français (Portugal) / Alliance Française

O PRIMEIRO AMOR

"Amor", Alejandra Karageorgiu
 Pinzellades al món

(...) O primeiro amor dá demasiadas alegrias, mais do que a alma foi concebida para suportar. É por isso que a alegria dói - porque parece que vai acabar de repente. E o primeiro amor dói sempre de mais, sempre muito mais do que aguenta e encaixa o peito humano, porque a todo o momento se sente que acabou de acabar de repente. O primeiro amor não deixa de parte um único bocadinho de nós . Nenhuma inteligência ou atenção se consegue guardar para observá-lo. Fica tudo ocupado. O primeiro amor ocupa tudo. É inobservável. É difícil sequer reflectir sobre ele. O primeiro amor leva tudo e não deixa nada.
Diz-se que não há amor como o primeiro e é verdade. Há amores maiores, amores melhores, amores mais bem pensados e apaixonadamente vividos. Há amores mais duradouros. Quase todos. Mas não há amor como o primeiro. (...)
(...) Afinal nem é por ser primeiro, nem é por ser amor. A força do primeiro amor vem de queimar - do incêndio incontrolável - todas aquelas ilusões e esperanças, saudades pequenas e sentimentos, que nascem em nós com uma força exagerada e excessiva. (...) Prepara-nos para sermos felizes, limando arestas, queimando energias, esgotando inusitadas pulsões, tornando-nos mais «inteligentes».
É por isso que o primeiro amor fica com a metade mais selvagem e inocente de nós. Seguimos caminho, para outros amores, mais suaves e civilizados, menos exigentes e mais compreensivos. Será por isso que o primeiro amor nunca é o único? Que lindo seria se fosse mesmo. Só para que não houvesse outro.
 
CARDOSO, Miguel Esteves -  O Primeiro Amor. In Os Meus Problemas. Lisboa: Assírio & Alvim. 1988. 2.ª ed. 225 p.
 
Livro disponível na BE.
 

O AMOR É PORTUGUÊS

Soror Mariana Alcoforado, Matisse (1946)
Imagem daqui.


 

“5- Da supervivência do Amor (Dom Pedro e Dona Inês)

Supervivência tanto significa intensidade, vivência superlativa, como superação da morte, vida perene.

Um mito de fatalidade amorosa, que é céltico, foi renovado, em termos trans-sociais e transcendentes, por dois amantes, um príncipe de Portugal e uma fidalga da Galiza. Sequência trágica, a dos amores entre altos personagens de uma e de outra banda do Minho (Rainha Dona Tareja – Fernão Pérez de Trava; Príncipe Dom Pedro – Dona Inês de Castro; Rainha Dona Leonor de Telles – Conde de Andeiro).

Sobremaneira fatal, irregular e trágico foi este. O príncipe, uma vez rei, desenterrou o corpo da amada, reabilitou loucamente, pomposamente, o seu amor, entronizando rainha de Portugal, com as devidas honras aquela que seu coração elegera e lhe ficara impressa para sempre no pensamento e na carne.

E nos túmulos de pedra lavrada, ao Juízo Final se entrega o mais fervoroso, o mais louco arrebatamento de todos os tempos.

A história e lenda de Inês de Castro exprime a importância absorvente que tem o amor na existência do nosso povo. Segundo D. Francisco Manuel de Melo, era notória a índole amorosa do português, e Jorge Ferreira de Vasconcelos faz dizer a uma personagem da Eufrosina que o amor é português. A poesia de amor na língua pátria é copiosa e inconfundível. Também a prosa está enxameada com documentos dessa inebriante absorção.

As expressões mais altas, mais típicas do amor português estão em D. Diniz, Camões, Bernardim, Cristóvão Falcão, Tomaz Gonzaga, Florbela, Pascoaes (elegia do amor), etc….

Tem valor para o caso a fala do Cardeal na Ceia de Júlio Dantas.

As cartas de Soror Mariana, a despeito das ressalvas que se lhes faça quanto à autoria, constituem dos testemunhos mais impressionantes do amor português.

O nosso romantismo é de raiz: por isso precede séculos o chamado movimento romântico, excedendo-o até aos nossos dias, tanto em Portugal como no Brasil.

O lema camoniano da linda Inês a cada passo renasce em nossa literatura, feito motivo perene.”

Publicado em O que é o Ideal Português, Lisboa, Edições Tempo, 1962
F. Cunha Leão, Do Homem Português, Lisboa, Guimarães Editores, 2007, p. 89.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

DESARREZOADO AMOR - Sá de Miranda

Imagem daqui.
 
 
 
“Desarrezoado amor, dentro em meu peito,
tem guerra com a razão. Amor, que jaz
i já de muitos dias, manda e faz
Tudo o que quer, a torto e a direito.


Não espera razões, tudo é despeito,
tudo soberba e força; faz, desfaz,
sem respeito nenhum; e quando em paz
cuidais que sois, então tudo é desfeito.


Doutra parte, a Razão tempos espia,
espia ocasiões de tarde em tarde,
que ajunta o tempo; enfim vem o seu dia:
 
Então não tem lugar certo onde aguarde
Amor; trata treições, que nem confia
nem dos seus. Que farei quando tudo arde?”

Sá de Miranda, Poesia e Teatro, introdução, selecção e notas de Silvério Augusto Benedito,
Editora Ulisseia e Editorial Verbo, 2005, pp.209-210.