Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs

Antigo blogue do projeto novasoportunidades@biblioteca.esjs, patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian
Escola Secundária José Saramago - Mafra

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

POESIA DE LUÍSA CORDEIRO (34)


“Sede”


Eu vi um homem

encostado a uma parede

e tinha sede.

Um outro,

lhe estendeu uma garrafa de água

que ele jorrou

para a sua garganta.

E eu vi a sede daquele homem…

a garganta seca como um deserto

que recebeu a tão desejada água

de alguém que ali passou por perto.

Eu vi a sede…

Eu continuo a ver a Sede

nos caminhos secos dos migrantes

ao sol tórrido,

ao vento frio e seco

que nem a chuva abranda.

Eu vejo a sede nas lágrimas das crianças,

eu vejo a sede

nos rostos vincados das suas mães.

Eu vejo a Sede dos Homens,

Sede de Justiça,

Sede de Paz,

Sede de um lar,

da família

que passou a fronteira

e eles ficaram para trás.

 

Eu vejo a sede….

a sede da velhice nos pés cansados

e gretados do caminho,

à fuga de um destino,

A Sede de uma vida inteira

que um homem carrega sozinho.

Eu vejo a Sede

mitigada pela Esperança

de voltarem a ter

o doce acolhimento

do seu próprio ninho.

Eu vi a sede na garganta daquele homem,

A Sede daqueles que sofrem

E se consomem…

Eu vejo a sede

daqueles que rodeados de água

à guerra fogem.

Eu vejo a Sede da Humanidade

Eu vejo a Sede

daqueles que de tantas sedes

à Sede morrem!
 

Luísa Cordeiro

(27.11.2018)
 

Sem comentários:

Enviar um comentário